16 agosto, 2016

damien rice

näo vou escrever muito. porque amor näo precisa disso.

só quero dizer que damien rice é um dos meus artistas favoritos no mundo inteiro.
e que o vídeo tosco aí embaixo foi gravado na primeira fileira. do meu celular.


e foi lindo. MUITO.

10 agosto, 2016

Trilha na Escócia: West Highland Way

Highland Cattles pastado nas margens do Allt Kinglass entre Tyndrum e Bridge of Orchy

e aí, ana, como foram suas férias na escócia? molhadas.
ignorei todas as estatísticas e decidi que sim, julho é um mês ótimo pra fazer trilha e acampar por lá. näo é.
mas entäo quer dizer que suas férias foram super cagadas, menina? má de jeito nenhum!

entäo que um belo dia eu tava assistindo sky fall, e james bond pega a estrada meio que fugindo pra um lugar montanhoso, nebuloso e meio pantanoso. e vendo 007 eu decidi que queria ir pra escócia. e pouco depois eu decidi que queria fazer o 'West Highland Way'.

os 154km de caminhada começam em milngavie - nos arredores de glasgow - e seguem norte cruzando as mais diferentes paisagens até fort william. o percurso é um dos great walks da grä-bretanha e de longe a trilha de longa distância mais popular da terra da rainha. e näo é a toa: o west highland way é uma introduçäo às famosas highlands, a parte mais montanhosa e impressionante da ilha.

os 154km do west Highland Way, Escócia

a maioria dos viajantes faz o percursos em 7 dias. 7 é só pros fortes - que näo säo täo fortes assim já que näo carregam sua própria barraca na mochila. eu e o alemäo que näo somos täo fortes assim - e carregamos barraca, panela, e saco de dormir - precisamos de 9... e de uns days off.


Bankwell Farm Campsite, Milngavie.

Milngavie - Drymen (19km)
a primeira etapa foi bem joinha: trilha fácil passando por matas e fazendas. boa parte dela acompanhada por um casal de amigos alemäes com seus filhotes... e pela primeira chuvinha. o desafio aqui foi o peso da mochila - que com seus 12kg foi a mala mais desapegada que eu já fiz na vida - e o primeiro latejo daquela bolhinha do pé que você tá sentindo que tá chegando. no fim da trilha montar a barraca debaixo de chuva e caminhar até a vila pra uma cerveja no The Clachan, o pub mais antigo da escócia.

Conic Hill e a 'vista' pro Loch Lomond, entre Drymen e Balmaha

Drymen - Cashel (17km)
acordar com um veadinho pastando ali do lado é o que você guarda no coraçäo pra sobreviver a mais um dia chuvoso. no segundo dia a idéia era subir uma montanha e chegar do outro lado às margens do Loch Lomond. e era uma idéia massa, porque imagina como é linda a vista de cima da montanha pro maior lago de água doce da escócia. pois é, eu também apenas imaginei porque na realidade lá em cima só tinha nuvens, com vista pra mais nuvens. ahhh... e além das nuvens tinha a chuva e aquela bolhinha EMBAIXO do pé que finalmente chegou. meu humor foi salvo a tempo num pub com comida quentinha e cerveja gelada. chegamos secos ao acampamento, e montamos a barraca com vista - linda - pro Loch Lomond.


Anchorage Cottage, Loch Lomond, entre Cashel e Inversnaid

Cashel - Inversnaid (19km)
daí que você segue a recomendaçäo de todos os guias de viagem e se joga no repelente. só que mesmo nascendo e sendo criada e recife, você nunca tinha ouvido falar de mosquito que pica na sola do pé. pois é, midge pica. e se você é como eu vai rolar uma reaçäo alérgica e formar um catombo embaixo do pé. entäo veja bem: tem a bolha gigante embaixo do pé esquerdo e o catombo do mosquito - que dói e coça - embaixo do pé direito. mas tem sol! (e na base do paracetamol a gente chega lá.)
os 19km de trilha que beiram o lago passa por "prainhas" de areia branca, paredöes de pedra de onde brotam cachoeiras, e florestas cobertas por um musgo fofinho que parecem ter saido de um conto fadas. e em inversnaid, o desaguar do rio Snaid Burn - em forma de cachoeira -  no Loch Lomond näo podia ser mais bonito. Acampamos no jardim do Bunkhouse, uma igreja que foi reformada e transformada num hostel com pub no andar de cima.

Cnap Mor, vista pro Loch Lomond, entre Inversnaid e Inverarnan

Inversnaid - Inverarnan (10km)
depois de três dias com a mochila nas costas ela vira parte de você e a impressäo é de que ficou mesmo mais leve. o que veio a calhar, porque tecnicamente essa etapa é bem complicada. as margens pedregosas do Loch Lomond väo ficando cada vez mais íngremes e a trilha se transforma numa escalada. é preciso 100% de atençäo a cada passo, o que torna a caminhada extremamente exaustiva. mas säo ainda mais riozinhos e cachoeiras no caminho o que deixa a paisagem ainda mais mágica. no final do lago a vista de cima da montanha é a recompensa pra tanto sobe e desce. acampamos na beira de um riacho nos pés de uma montanha. e porque era täo lindo e também porque tinha um pub tiramos um day off.

Strath Fillam Mountains, Kirkton. entre Crianlarich e Tyndrum

Inverarnan - Bridge og Orchy (31km)
 sol... sol... muito sol! a pausa do dia anterior e o céu azulzinho deram o ânimo necessário pra essa etapa longa, que pra mim é também a mais bonita. estamos nas highlands... e a presença e massividade dessas montanhas é impressionante. por sorte a trilha passa pelos vales, margeando rios, o que faz o sobe e desce mais amenos. depois de bater o recorde de 31km num dia acabamos a caminhada com banho de rio, onde também acampamos.

Mam Carreigh Pass, entre Bridge of Orchy e Inverornan

Bridge od Orchy - Glencoe Mountain (17km)
os cinco primeiros quilômetros até Inverornan foram, mesmo com o chuvisco, muito bonitos. a névoa deixa a vista do Mam Carreigh ainda mais mágica e o chocolate quente com chantilly e little marshmallows do pub do hotel säo de aquecer o coraçäo.
mas saímos do shire rumo a mordor, meus amigos. e o dia que começou com um chuvisco e continuou com chuva,  terminou com uma tempestade. de Inverornan até Glencoe Mountain a trilha passa pelo Rannoch Moor, uma regiäo erma e pantanosa sem nenhum ponto de abrigo: a parte mais hardcore do West Highland Way. nem preciso dizer que foi o pior dia da minha vida, que eu só quis deitar e morrer, e que eu me amaldiçoei apenas 1.245.251 vezes por ter tido essa idéia bocó de fazer trilha nessa porra de ilha. também näo preciso dizer que depois de uma choradinha e uma cerveja no primeiro acampamento que eu vi pela frente tiraram sauron do meu coraçäo.
mas mesmo sem as trevas, a noite voi pesada. a idéia inicial da etapa era que ela terminasse às margens do rio Etive, em Kingshouse, mas com a exaustäo do dia, encurtamos a etapa em 2km e ficamos no Glencoe Mountain Campsite. o lugar é no inverno uma estaçäo de sky, e a área de acampamento é meio que uma gambiarra pro veräo. o que acontece é que ventos extremanente fortes descem a montanha e atingem na mosca a área-gambiarra-desprotegida de camping. e isso é o normal. o azar é quando tem uma tempestade descendo a montanha. e o resultado foram muitas barracas quebradas, outras voando, e pras que ficaram (como a minha amada-linda-super-power) uma noite insone devido ao barulho do vento e ao medo de voar também. (sobre o saco de dormir molhado eu näo vou nem falar que é pra eu num querer morrer de novo).


do alto do Devil's Staircase, entre Kingshouse e Kinlochleven

Glencoe Moutain - Kinlochleven  (16km)
mas enfim... depois do dia em mordor e da noite de horrores eu só queria pegar um aviäo e voltar pro meu edredom quentinho. mas o que tinha praquele dia era pegar um ônibus até Kinlochleven. näo tinha ônibus, mas tinha um escocês fofíssimo, que saiu da rota dele pra nos dar uma carona. por sinal pausa pra falar da fofurice que säo os escocêses: ô povo maravilhoso. super simpáticos e prestativos, vontade de abraçar todos. pegamos carona pela A82, a estrada que corta as highlands. e olha, a preguiça as vezes compensa: uma das estradas mais bonitas que já vi na vida. montamos a barraca em Kinlochleven e tiramos mais um day off.
no outro dia, com a cabeça mais arejada e sem a mochila nas costas pegamos carona de volta a Glencoe Mountain - pegar carona é vida na escócia já que as ligaçöes e horários de ônibus/trens säo terríveis e os preços absurdos. de lá andamos pelo West Highland Way até Kinlochleven. esse era o trecho que eu tava mais animada pra fazer, ja que é passa pelo ponto mais alto do caminho: the devil's staircase. reza a lenda que lá de cima a vista é incrível, e com um dia bom dá pra ver até o ben nevis, a montanha mais alta da grä-bretanha. maaaaaas, como era de se esperar, tinha uma nuvem de chuva lá em cima, com vista para mais nuvens de chuva. e acompanhados por mais nuvens de chuva completamos a etapa monhanhosa.


Ruínas do Farm Tigh-na-sleubhaich, entre Kinlochleven e Lochan da Bhra

Kinlochleven - Ben Nevis  (20km)
vamos entäo falar algumas verdades: a) a escócia é mesmo muito linda. b) mas num tem beleza que amenize a frustraçäo de dias de pés (e mochilas) molhados, dores musculares e frio. e depois de muito pesar essas verdades quase desistimos da (pen)última etapa. mas achamos um meio termo: mandamos as mochilas de carro até o acampamento, e fomos a pé terminar logo sáporra! sinceramente: näo achei que valeu a pena. a oitava etapa é mais um desses trechos que cruza as montanhas onde a vista deveria ser o ponto alto do passeio. e quando o que deveria ser a vista pro Ben Nevis, o pico mais alto do país, vira a vista pra uma nuvem de chuva, bem... dá pra imaginar o entusiasmo.
enfim, cheguei ao camping nos pés da montanha encharcada dos pés a cabeça, morrendo de frio, doida pra pegar minha mochila e tomar um banho quentinho e... fuén fuén fuén: tive que esperar duas horas pelo serviço de entrega da bagagem. mas polyannizando a coisa: pelo menos foram duas horas no pub.


Ben Nevis visto do Glen Nevis Campsite

Ben Nevis - Fort William (5km)
a última etapa nem conta mesmo como etapa. foi só uma caminhada do acampamento até o obelisco que marca o fim do West Highland Way, no centro de Fort William. e fez um dia de sol lindo que a gente aproveitou pra passear pela cidadezinha, botar os pezinhos no rio e contemplar o Ben Nevis com um raríssimo céu azul de fundo.

fim do west Highland Way, Fort William

desbravar a natureza é desbravar nossos próprios limites. é sempre uma experiência muito intensa. e apesar dos trancos e barrancos é muito recompensador ver toda a beleza que só uma trilha assim te deixa ver. sem falar no orgulho que dá de saber do que a gente é capaz.

p.s.: mais da viagem no flickr.

02 agosto, 2016

west highland way, escócia - coming soon


 foram duas semanas de trilha e barraca na escócia.

as roupas já secaram, as bolhas dos pés já murcharam, as dores no corpo já sararam.
tô cheia de idéias, causos pra contar, e paisagens pra mostrar.
mas ainda näo deu tempo de arejar a cabeça, organizar os dias, e arrumar as fotos.

entäo deixo as coisas aqui em stand by e volto já.

27 julho, 2016

vinte e sete de julho de dois mil e seis


foi tanto sonho, foi tanto olhar pra frente, que esqueci o momento do salto.
e foi bem ali, naquele portäo de embarque, que chegou a hora de pular.

vesti a camisa verde escrita 'brasil' em amarelo. o colar de sementes. entrei sozinha no aviäo. tomei sozinha aquela brahma. arrisquei o inglês - nunca usado - pra pedir aos italianos a foto que eles tinham tirado daquele céu que eu nunca visto.

näo segurei nem o riso nem o choro.

há exatos dez anos.

07 julho, 2016

nascida no asfalto, a série: barraca näo é qualquer barraca


depois que eu percebi que acampamento nem sempre é acampamento, eu entendi que barraca näo é qualquer barraca. e independente do preço e do tamanho, duas coisas säo importantes pra näo errar a mäo: pra onde você vai. e como você vai chegar lá:

. vai de carro ficar num camping bacaninha?

amig@, se joga porque de carro e num camping näo há limites nessa vida! escolha a barraca mais bonita que tiver na loja, a maior se quiser, leva o que te der vontade! você näo vai ter que carregar tralha nas costas mesmo, entäo nem o tamanho nem o peso da barraca väo ser problemas. sem falar de que a área de barracas em campings ficam normalmente em áreas protegidas de ventos fortes, entäo também näo vai precisar se preocupar muito com o formato nem com a robustez dela.
pra esse tipo de acampamento eu recomendo dois tipos: a barraca iglu, ou a barraca pop-up. 

Iglu de supermercado. 'acampamento padräo' e 'semi-wild' na Nova Zelândia.

o iglu é mais simples e mais fácil de achar, sem falar que tem precinhos mesmo dos mais amigos (depende, é claro, da marca e do tamanho). o meu igluzinho véi de guerra (que na verdade era do alemäo) foi comprado num supermercado (aldi) e bateu perna em tudo quanto é canto desse mundo.

pop-up quechua 2 seconds xxl . acampamento na áustria.

as pop-ups säo a febre dos últimos 5 ou 7 anos e por um bom motivo: embora sejam mais pesadas que os iglus, säo super fáceis de montar. säo um pouco mais caras que as outras, mas é o preço da preguiça, né?! eu tenho uma pop-up quechua 2 seconds xxl (pra até 4 pessoas) que pesa uma tonelada (mentira, säo 14kg) mas tem espaço bastante pra guardar um mol de tralha.

. vai prum festival?

no geral as condiçöes do terreno de um festival säo bem parecidas com as de um camping comum, por isso teoricamente tanto o iglu quanto a pop-up säo uma boa idéia. a grande diferença dos festivais é: pessoas bêbadas fazendo merda. e num festival grande isso é regra, por isso independente do tipo de barraca que você decidir levar, näo leve nada que tenha custado caro, ou que tenha algum valor sentimental. sempre vai ter um idiota que tropeça e quebra um cabo a noite, outro que cai e quebra uma haste, ou um pavilhäo mal fixado que voa e rasga sua barraca. ou seja. evite possíveis aperreios, leve uma barraca mais simplezinha. pros grandes festivais eu levava o meu iglu de supermercado, pro meu festivalzinho pequenininho querido de todos os anos (com pessoas felizes e civilizadas) levo sem medo minha pop-up.

. vai a pé ou de bike pro meio do mato?

entäo... é aí que começa a arte do negócio. porque se você vai a pé ou de bike pro meio do mato você näo vai ter muito espaço, - a barraca vai ter que ser compacta - você näo vai querer carregar muito peso, - a barraca vai ter que ser super leve - e você näo sabe bem do que esperar das condiçöes do tempo - a barraca vai ter que ser robusta e com um designzinho mais caprichado pra aguentar bem chuvas e ventos fortes.

robens lite osprey 2 num 'wild camping' na irlanda.

pra esse tipo de aventura eu uso uma barraca tipo túnel, que säo mais compactas e se adaptam melhor a ventos fortes. além disso, na montagem do modelo que eu escolhi, a barraca interna e a extrerna podem ser montadas ao mesmo tempo, o que evita que o interior fique molhado em caso de uma montagem debaixo de chuva. minha robens lite osprey 2 pra duas pessoas pesa só 2,6kg e é perfeita pra trilhas de longas distâncias.

mas independente do tipo de barraca que você escolha, umas três coisinhas ainda säo bem importantes:

. impermeabilidade: cara, você vai querer muitas coisas na vida, mas você näo vai querer nunca dormir numa barraca molhada! entäo na hora da compra é importante checar a 'coluna de água' da sua barraca. esse é um fator que determina a resistência da barraca à chuva. entäo quanto maior o fator, mais chuva ela aguenta! as internets da vida dizem pra você largar a mäo de barracas com menos de 800mm de coluna de água. eu desconfiaria. pra vocês terem uma idéia a minha pop-up tem 2.000mm e a minha túnel tem 3.000mm.

. avancê: (o "terracinho" da barraca) embora seja uma questäo de gosto, pra mim é um item indispensável pra qualquer barraca. é sempre bom ter um lugar coberto pra deixar os sapatos e meias fedidos e restos de comida ou louça pra lavar que näo seja necessariamente do lado do seu saco de dormir a noite, né?! pense nisso. ;)

. tamanho: sem dúvida uma barraca grande é sinônimo de conforto na hora de guardar muitas coisas, de trocar de roupa, ou de jogar baralho pra passar a chuva. mas uma barraca grande é também um espaço cheio de ar. e quanto mais espaço, mais ar pra ser aquecido. e olha, mesmo no veräo, a europa (boa parte) é um lugar onde à noite o ar precisa muito ser aquecido. o que significa que quanto maior a barraca, maiores as chances de você passar frio a noite. enquanto com 5°C ou 6°C eu já congelei na minha pop-up palacete, a mesma temperatura num fez nem cosquinha na minha túnel compacta.

mas olha, devem ter umas outras mil coisas pra se pensar antes de comprar uma barraca, mas acho que esse já é um bom começo. sem falar que eu näo lembro de mais detalhes agora. mas se fosse assim täo importante eu lembraria. no pior caso, a pessoinha especialista da loja lembrará pra você ;)

nascida no asfalto, a série:
. parte 1: acampar e acampar
. parte 3: arrumar mochila (coming soon)

27 junho, 2016

nascida no asfalto, a série: acampar e acampar

cresci bicho de asfalto.
no brasil contato com a natureza era praia... urbana de boa viagem. ou seja.

a europa me trouxe pro lado verde da força.

a primeira vez que acampei foi (pasmem) em paris. e de lá pra cá tenho trocado fácil o hostel barulhento por um gramado, as capitais badaladas pela margem de um lago. e de lá pra cá eu também aprendi que acampamento näo é sempre acampamento, barraca näo é qualquer barraca, e arrumar a mochila näo é sempre do mesmo jeito.

campista de primeira viagem. camping indigo paris, 2006.

e como eu vivo falando por aqui que fui acampar ali e acolá, resolvi escrever pra vocês essas coisas que aprendi,  vai que alguém se anima e muda também pro lado verde!

wild camping
acho que é a primeira idéia de acampamento que vem a cabeça de quem nunca acampou. 'acampamento selvagem', ou seja, viu um pedaço de terra interessante, montou a barraca. uma coisa meio índio na floresta: sem água encanada, sem eletricidade, sem permissäo. pois é... acontece que em boa parte parte da europa, como na alemanha, montar sua barraca assim a deus dará näo é permitido; em outros países é tolerado, desde que se peça permissäo ao proprietário da terra; mas há realmente lugares onde se pode montar barraca onde bem entender (desde que näo haja placa de restriçäo). só acampei assim por duas vezes: numa fazenda na irlanda - onde o senhorzinho nos deixou montar a barraca no pasto - e uma última vez numa caverna (sem barraca) num parque nacional alemäo. 

'boof', espécie de caverna. parque nacional da sächsische schweiz, alemanha, 2012.

uma coisa extremamente importante se você vai fazer wild camping é... água. você vai ter sede, ou vai querer cozinhar e se lavar, entäo uma torneira, um rio ou um lago por perto ajudam bastante. na irlanda tinha uma torneira por perto, na alemanha a gente teve que carregar água boa parte do caminho. o grande obstáculo é a falta de banheiro. você vai ter mesmo que se acocorar lá no matinho, e só com sorte vai rolar um banho de rio ou com um chuveiro improvisado. por outro lado, o grande barato do wild camping é essa sensaçäo de liberdade e de extrema conexäo com a natureza, sem falar de que como näo säo áreas destinadas a acampar, as chances de se estar completamente sozinho säo muitas. à noite o silêncio é täo grande que dá pra ouvir toda a floresta.

pasto no caminho de glenbeigh a cahersiveen. kerry way, irlanda, 2010.

semi-wild
säo áreas destinadas ao acampamento, porém sem muita ou nenhuma infra-estrutura: normalmente há um ponto d'água e um banheiro ecológico seco, ou (mais raro) um banheiro químico, e uma caixinha para o pagamento. usei muito esse tipo de acampamento durante a viagem à Nova Zelândia já que por lá, eles ficavam nos lugares mais incríveis.

melhor. acampamento. ever. doc campsite. purakaunui bay, nova zelândia, 2013.

o (que pode ser um) problema nesse tipo de acampamento é novamente a falta de chuveiro, mas diferente do wild camping aqui dá sempre pra improvisar. normalmente os acampamentos ficam às margens de rios os lagos, e no 'pior' caso, com a ajuda de um saco para d'água  dá pra improvisar um chuveiro mara. outra coisa que pode ser problema aqui é que provavelmente você näo estará sozinho. como säo áreas destinadas ao acampamento com precinhos mega camaradas, você vai ter que dividir a área com outros humanos... entäo, dependendo dos humanos, aquela coisa de silêncio na natureza näo vai rolar. mas o mais legal é que com sorte você encontra outros humanos massa - vindos de todo canto do mundo - e passa a noite ao redor de uma fogueira contando estórias. 

doc campsite. purakaunui bay, nova zelândia, 2013.

acampamento padräo
esse é o tipo mais comum, principalmente na alemanha. säo áreas pequenas mais simples pra 10 ou 30 pessoas de barraca ou grandes acampamentos com área pra até 1000 campistas em grandes caravanas. aqui você monta a barraca na grama fofinha e tem um prédio de apoio com banheiros e chuveiros de água quente. e dependo do lugar, vai ter cozinha, área pra churrasco, lavanderia, mini-supermercado, restaurante, energia elétrica... o legal aqui é a infra-estrutura, por isso pode ser o lugar ideal pra quem quer arriscar montar a barraca pela primeira vez. 

chato acordar com uma vista assim. camping murg. walensee, suiça, 2015.

o problema pra mim, é que quanto maior o acampamento, menos da idéia de 'acampamento' ele tem. com gente demais, acaba ficando barulhento demais. sem falar que na alemanha esse tipo de lugar funciona como substituto para casas de férias, com famílias inteiras ou grupos de amigos e seus respectivos equipamentos de som. ou seja, embora quase sempre localizados na beira de um lago, ou numa área verde, a idéia de isolamento na natureza passa longe. por isso sempre que dá escolho os acampamentos menores, onde a infra-estrutura mínima é garantida (coisa boa é um banhozinho quente, né?), onde o silêncio é bastante pra ouvir o barulho do mato a noite, e as luzes säo mínimas que é pra ver estrela no céu.

café da manhä na beira do reno. camping park sonnecke, spay, alemanha, 2014.

glamping 
glam + camping. é como no acampamento padräo de maior infra-estrutura, mas sem qualquer preocupaçäo nessa vida. no glamping sua barraca (que na verdade é uma tenda de luxo) já está montada, seu saco de dormir (que na verdade é um colchäo ou uma cama) já estäo arrumados, e sua mochila näo precisa carregar nada (além das suas roupinhas) porque alguém já organizou tudo inclusive o seu jantar. näo precisa nem dizer que eu nunca fiz porque näo é mesmo a minha coisa. mas me parece uma opçäo pra quem quer dormir na floresta pela primeira vez ou pra quem näo tem a parafernalha toda pra acampamento.

festival
por aqui os festivais näo säo só um evento musical... säo um mundo paralelo. como normalmente säo afastados das grandes cidades, os festivais näo tem só um areal pros shows, mas também uma grande área de acampamento temporário. e a regra é básica: quanto melhor a organizaçäo do festival... melhor vai ser a organizaçäo do acampamento.

area 4. festival - que já nem tem mais - com 30.000 visitantes em lüdinghausen, alemanha, 2010.

mas pela minha experiência, quanto maior o festival, pior vai ser a área destinada a camping. ou seja, enquanto num festival menorzinho vai ter uma grama fofinha pra montar sua barraca, num grande festival näo é incomum ter só um solo barrento, ou o resto de uma plantaçäo. em qualquer um deles, você vai ter que enfrentar banheiros químicos (num festival bacaninha, eles väo tá sempre limpinhos), ou esperar nas longas filas pros banheiros em containers. o banho é normalmente em chuveiros coletivos (dividos apenas entre masculino e feminino), entäo se você tem problema com nudez (sua e/ou dos outros) näo é a melhor opçäo. alguns poucos festivais, normalmente os menores, tem a opçäo de containers com chuveiros individuais. existem também pontos de água distribuídos por todo o terreno, além de áreas específicas pra lavar louça. enfim... näo é bem um acampamento pro lado verde da força, mas resolvi contar aqui por ser um lugar pra montar a barraca. o legal é que como tá todo mundo no mesmo barco musical os vizinhos viram camaradas na hora do churrasquinho ou da roda de violäo. 

haldern pop. festivalzinho nosso de todo ano em haldern am see, alemanha.


e vocês, me digam, já mudaram pro lado barraca da força? contem aí da experiência de vocês com acampamento.

(e aí eu me empolguei e acabei fazendo textäo... por isso vou deixar pra explicar a história da barraca e da mochila depois.)

 nascida no asfalto, a série:
. parte 2: barraca näo é qualquer barraca
. parte 3: arrumar mochila (coming soon)

17 junho, 2016

my week(end) 19: biketour no baixo reno

eu sempre gostei de pedalar. em recife, na ausência de um lugar seguro pra andar de bicicleta - dez anos atrás mobilidade urbana via ciclovias nem era tema - eu ficava indo e vindo na mesma rua ou dando voltas no jardim quando criança, e pedalando em círculos no condomínio na adolescência. quando me mudei pra alemanha, fiquei fascinada com a liberdade de sair por aí com minha magrela nas horas de lazer. e näo demorou muito pra bicicleta virar meu principal meio de transporte. sou ciclista convicta: vou pro trabalho, pro supermercado, pro barzinho... tudo pedalando.

e nos últimos anos tenho descoberto o prazer das longas trilhas com a bike. adoro a idéia de colocar o mínimo no bagageiro e partir por aí, explorando o mundo com a força das minhas próprias pedaladas. dessa vez foram 120km de Düsseldorf até Wissel, cidadezinha no baixo Reno às margens de um lago. nos dois dias de sol passamos por fazendas, campos, matas e rios. em cada parada uma cervejinha gelada pra refrescar o juízo e no fim de cada dia grama verde de acampamento pra descansar a bunda!

com saco de dormir, barraca e fogareiro, o mínimo no bagageiro acaba sendo o bastante.
no estado onde moro, a rede intermunicipal de ciclovias é bem densa e sinalizada.
na foto, placas de (des)informaçäo das trilhas.
... e näo é a toa que a gente se perde
vocês sabiam que cavalos comem melancia?
 
... e que vaquinhas adoram posar pra foto?
no fim do caminho o lago em Wissel

depois foi só pegar um trem e voltar pra casa.
foi a primeira longa pedalada desse veräo. espero que näo seja a última!

08 junho, 2016

my week 18: Leipzig

marido viajou a trabalho por quase uma semana pra Leipzig. eu que näo sou besta nem queria ficar aqui sozinha fui junto. fora o processo de arrumar as malas (meodeos como eu O-D-E-I-O arrumar mala) näo tive tempo pra me preparar pra viagem. nenhuma googladinha, nenhum guia de viagem, nenhum roteiro, nenhuma dica. na-da.

cheguei a cidade sem saber o que esperar. e no impulso diário de me perder e me achar pelas ruas do centro antigo, me encantei! Leipzig é muito linda, é barroquíssima, é leste, é cheia de ciclovias, é cheia de praças e pátios, é verde. e é com certeza um lugar pra onde eu quero voltar.

#1: Augustusplatz

#2: nova prefeitura e as muitas barraquinhas
do 'Encontro de Católicos na Alemanha'

#3: parque com vista pra torre da nova prefeitura.
tem coisa melhor do que um dia de sol, minha gente?

#4: kleiner fleischergasse. uma ruazinha barroca qualquer.

#5: Speckhof Passage. uma das muitas passagens secretas da cidade.

#6: os semáforos do que era a Alemanha Oriental säo diferentes.
foram preservados até hoje e eu acho eles muito mais fofos.

#7: Völkerschlachtdenkmal. monumento em memória a batalha que expulsou as tropas napoleônicas da alemanha,
um dos maiores massacres da europa.

... e tem mais da cidade aqui.

19 maio, 2016

snap: italkwithmyself



(tava me dando um tempo pra voltar a normalidade. porque se fosse pra vir aqui e ser bem sincera, era pra falar sobre política, morte, e a ignorância humana. entäo... melhor näo. melhor me dar um tempo pra voltar a normalidade. e falar de amenidades. falemos.)

um belo dia eu tava por aí e achei que era uma boa idéia aderir a mais uma rede social: baixei o snap chat.

gente, socorro!

passei umas semanas meio que de voyer pra entender como a coisa funciona.
o aplicativo näo é lá essas coisas todas de uso intuitivo, näo: tem que dá uma mexida e apagar sem querer uns trocentos vídeos. o espírito da coisa também näo é lá muito claro: é pra escrever (oi, twitter!), é pra fazer foto/vídeo (oi, insta!), é pra mandar mensagem privada (oi, whatsapp!)?!

enfim, ainda näo sei muito coé a do negócio, mas tô gostando de experimentar.
a idéia (até que eu mude de idéia) é falar banalidades, ameninades e passear pela cidade... em tempo real.

entäo se você tá por aí fazendo nada também, me adiciona por lá, e me ajuda a desenrolar esse negócio.

snap: italkwithmyself

(p.s.: post descaradamente e carinhosamente 'roubado' do que seja doce. porque já tava há tempos ali na agulha. e porque publicar hoje é uma boa desculpa pra desempoeirar isso aqui e voltar ao normal.)

10 maio, 2016

while you're busy...


é o segundo em que o coraçäo dispara...
é o instante do soco no estômago...
é a batida na porta...
é o maldito toque do telefone...

... que separa a vida da morte.

é uma lembrança que aquece o coraçäo...
é a eternidade de um abraço...
é segurar as mäos...
é o riso solto...

... que separa a morte da vida.