04 dezembro, 2008

... 2008

Janeiro 2, 2008
… e eu tenho mil desejos pra minha vida comecar!
Então começamos assim: Respire fundo. (por favor) … (Hei, rapaz! É pra “parar”, respirar fundo e voltar ao texto. Eu sei que é meio esquisito, mas tem que fazer, senão não vai funcionar!)
- pausa para um Inspirar e Expirar profundo -… Agora sim…
Vamos começar um “Ano Novo” e – diz o povo – tem que seguir todo um ritual. Porque “Ano Novo” que é novo mesmo, é muito exigente - exatamente na medida em que é a gente.
Saia desta cadeira; deixe de sua besteira! Despeça-se desse último mês do ano, para um novo ano chegar. Vamos nos preparar!
Tem que estar de roupa nova, limpinha – que é pra mostrar que a gente caiu, ralou, sujou, chorou. Levantou! Sacudiu, amou, gozou, deixou, correu, partiu, pariu, cortou, rasgou, costurou, remendou, se jogou, chegou, lavou… Lavou.
Tem que fazer muita festa – pra mostrar que a gente é vivo! Pra celebrar com homenagem cada lágrima vertida, cada gota de suor, cada tombo e cada vida. Pra enterrar com honra; pra parir com glória. Pra acreditar que ainda há algo novo – de/novo – por vir.
Tem que deixar bem iluminado – pra não correr o risco de passar despercebido, desavisado. Nada de escurinho nessa hora! Pra mandar a tristeza embora, vamos iluminar cada momento e aquele exato segundo: quando o povo todo – no mundo – “vê” o Tempo passar.
Tem que ter gente querida – pra a gente compartilhar. E se tanta gente querida, não há de caber num só lugar, a gente sabe que cada pessoa ali presente, traz um pouco das outras gentes, com quem nessa hora a gente não pode estar.
Tem que ter comida e bebida também. Pra alimentar nossos desejos mais acanhadinhos; pra borrifar nosso temperamento e nossa temperança; pra amolecer nossos preconceitos e nossas birras. Há de ter muita bebida; porque nesse mundo, não se vive com sede; não se vive “sequinho”. Porque se secar, murcha; e se não cuidar, de tanto murcho, morre! E atenção: se “aguar” demais, morre também! Ou, no mínimo, amarela!
Mas tudo isso é costume popular. Vai começar outro ano, um Novo. Vai zerar o contador dos doze meses e recomeçar. E pra isso acontecer basta a gente Estar.
Basta que a gente pare – um minutinho – e deseje respirar fundo.
O desejo é parente do respirar. A gente não lembra a cada segundo dos nossos desejos. Mas vá a gente parar de desejar! É que nem respirar. Por isso, respire fundo. Respire o Desejo mais profundo, aquele que só você pode avistar. E não esqueça: o desejo, como o respirar, não pode parar. O Desejo tem que estar sempre renovado, como o nosso ar. E quando ele faltar, você vai sentir aquela falta… E ai é só parar… e Respirar!
Vamos respirar – juntos – um Natal de Nascimento, com ou sem “popularidades”, porque o Novo – ano, desejo, pulso – vai passar e a gente vai simplesmente “estar”. E isso é Viver. Que bom!
(Maíra Guerra – Recife, 20/12/2007.)

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