29 outubro, 2011

só que ao contrário

ela bateu a porta e saiu.
e foi se encontrar com um abraco.
deu uma choradinha, falou da vida, conversou potoca, acabou a lata de brigadeiro.
esqueceu... voltou. abriu a porta.

28 outubro, 2011

Lei de Murphy. Passo-a-passo:

1. perca o chip do seu celular
2. solicite um novo por telefone (a central de atendimento näo é 0800!)
3. espere uma semana pelo chip que näo chega
4. ligue de novo (näo é 0800) e descubra que eles erraram o endereco
5. receba o chip novo e digite o PIN
6. lembre como você odeia e sempre esquece a porra do PIN
7. por pura preguica, esqueca de desativar a funcäo que solicita o PIN
8. seu celular resolve (pela 1654651654564 vez) dar problema no teclado. ou seja, por mais que você aperte, metade das teclas näo funcionam
9. desligue SEM QUERER o celular

voilá!
com base no item 6, basta chegar em casa e achar o papel onde está o maldito número... se é que você näo jogou fora.
com base no item 8, fudeu brother

07 outubro, 2011

quadrinha musical

primeiro eu me apaixonei pelo Damien.



aí o Damien me mostrou a Lisa.



entäo eu me encantei com a Lisa.



um dia eu conheci o Ray.



e o Ray conheceu a Lisa.



e o Ray conheceu o Damien.



e o mundo se tornou um lugar melhor...

04 outubro, 2011

Carta da distância nº 1: de estar longe

(Momento chorandinho do dia)
 
Estar longe de casa é um exercício de estar mais perto de si mesmo do que nunca. É ser você em plenitude e aí sempre tem a pergunta: você agüenta ser você? Porque já não há amigos de infância para avisar que você está mudando, já não há pai e mãe para te pedir juízo, já não há sua casa com aqueles recônditos que dizem tanto sobre você. Estar longe de casa é descobrir-se outro: aquele que você sempre foi e não deixavam. 
Lentamente, todas as pequenas coisas dessa distância passam a existir dentro de você. O nome das ruas, as linhas de metrô, o telefonema pra casa no domingo à noite. Tudo isso passa a haver em seu interior de uma forma natural, é sua vida, é você. E como era estranho antes pegar a linha cinza, descer numa estação de nome intraduzível e pegar em seguida a linha verde. De repente, é isso que você faz todos os dias, é essa sua rotina, é isso estar longe de casa. 
As línguas, os dialetos, as gírias: tudo isso é novo e tudo isso subitamente já não é. Você não necessita mais traduzir-se e entende os costumes mais diferentes (café da manhã com pão doce e chá verde já não causam estranheza), entende que o sol nasce do lado contrário ao que nascia, entende a saudade. Porque sim, dá muita saudade. Do calor das pessoas que te amavam e não eram uma conquista paulatina até que se pudesse dar dois beijinhos na despedida. Aqui, você está sendo testado todos os dias, é o elemento dissonante das reuniões, todos estão em casa menos você. 
E que saudade da mãe com os dedos fincados delicadamente entre os cachos, dizendo naquela rudez suave de mãe que está na hora de ir trabalhar. E que saudade do pai assistindo o Jornal Nacional e adormecendo enquanto Fátima Bernardes e William Bonner entoam suas diárias canções de ninar. Que saudade sabe de quê? Do suor que escorre pelas costas cada vez que você sai na rua, do almoço de domingo que era sempre frango porque domingo tinha que ser diferente (dos outros dias da semana, mas nunca dos domingos), que saudade do negro na pele, do vermelho nos olhos, do sangue fervendo em todo mundo. 
Na sua nova casa tudo funciona, todos são educados, parece tudo perfeito. Mas tem uma coisa que falta sempre que você observa o movimento uniforme das ruas, as cadeiras dessas pessoas, os rostos. Tem um quê ausente nos abraços, nos beijos de despedida, nos apertos de mão. Tem calor faltando por aqui e você não pode reclamar: você veio porque quis. 
Aliás, estar longe de casa tem muito a ver com isso: você faz as escolhas e então não pode reclamar delas. Ora, se já não há pai, mãe, amigos, toda aquela gente que tenta o melhor pra você, o livre arbítrio está todo em suas mãos. Nas decisões erradas é você e só você. O ruim é que nas certas também. 
Estar longe de casa é abrir uma garrafa de vinho de 55 centavos às quinze pra meia-noite, deitar numa cama fria por baixo de cinco cobertores, ouvir Nina Simone quase chorando (você e ela), fechar os olhos pra saudade e sorrir. Porque não tarda pra você estar perto de casa novamente. Mesmo que você permaneça exatamente onde está. 

Texto do Patrício Júnior gentilmente roubado do Madona Stole my Style