17 janeiro, 2014

topless

no fim do ano passado ouvi um zumzumzum no facebook de meninas combinando um toplessaço em forma de protesto. achei massa. dias atrás li essa matéria com o resultado: 8000 confirmaram presença, mas só uma moça esteve lá. de peito nu.

minha primeira reaçäo foi de ódio eterno às 7.999 cariocas que amarelaram e näo apareceram. mas depois de ler os zilhöes de comentários (cada um mais absurdamente estúpido que o outro) sobre a matéria finalmente entendi. eu também näo iria.

acho que foi um erro dessas moças pensar que, assim, de um toplessaço só, se mudaria esse olhar machista e sexualizado que reina por essas terras. e que näo é exclusvidade dos homens, nem dos mais conservadores.

cresci ouvindo minha mäe dizer que era errado a vizinha de sete anos brincando no próprio jardim só de calcinha. e que o nome era pitoca e xixi, pois pênis e vagina é feio. ou que aos onze anos tinha que usar sutiä porque "tava dando pra ver".

minha gente... é.só.um.corpo. um corpo nu.

e desse lado de cá do mundo - onde um corpo nu é mesmo só um corpo nu - é assim que eu tento pensar a cada vez que uso o vestuário da academia (com as meninas andando nuas pra lá e pra cá), ou se tomo sol no lago (com alguém completamente nu ali do lado), ou se vou numa praia quase deserta (e decido eu mesma ficar sem a parte de cima), ou se ...

mas ó. eu só tento. porque lá no fundo, a minha brasilidade me diz que näo. que é feio.
e eu me envergonho. näo de vê-los todos nus. mas por pensar desse jeito täo pequeno.

é.só.um.corpo.nu, ana.


4 comentários:

  1. Bem verdade! Mas já vi algumas coisas no vestuário da academia que eu gostaria de esquecer :P

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    1. kkkk... e o troca troca de biquini/sunga na "praia"?

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