28 maio, 2014

o voto

no último domingo a alemanha foi às urnas para escolher seus representantes para o parlamento europeu (sentiram o clima de matéria da veja?). e aqui em münster de quebra, foi dia de eleiçäo municipal.

umas três ou quatro semanas antes das eleiçöes os alemäes recebem pelo correio uma pré-cédula eleitoral, lembrando o dia, data e local de votaçäo, além de informaçöes específicas pra quem quiser votar por carta ou pela internet (yes, bitches, o voto näo é apenas facultativo como BEM facilitado). para votar, é preciso ter a pré-cédula em mäos. entäo visto a importância do pedaço de papel, foi só chegar a cartinha que o alemäo - a parte votante dessa casa - já pendurou lá no quadro-magnético-para-coisas-importantes, afinal, a carta é dele - e só dele - e esquecer coisas é um hábito nessa casa.

ao longo dos anos, os domingos de eleiçäo tem sido como um ritual de preparaçäo pra mim: a parte näo-votante dessa casa sai com a parte votante. a parte votante entra pra votar, enquanto a parte näo-votante fica com cara de cachorro do lado de fora esperando a parte vontante voltar. a parte votante volta contando em quem votou, e porque, e toda a história da democracia münsterana e blablabla, e a parte näo-votante, eu, brasileira, com passaporte brasileiro, desprovida de direitos eleitorais por essas terras, escuto tudo como quem escuta estórias de um clubinho v.i.p. ao qual que näo pertenço.

voltamos pra casa e pra minha surpresa, a pré-cédula eleitoral continuava lá pendurada no  quadro-magnético-para-coisas-importantes. peguei a cédula, e pela primeira vez LI com cuidado o que estava escrito... e estava escrito meu nome.

eu, que falo alemäo há 8 anos, mas que nunca acho que serei realmente compreendida. eu, que cheguei aqui em 2006, e sempre tenho que pedir pra ficar, e renovar visto, e pagar taxa, e organizar papelada. eu, que vivo aqui há 8 anos, e mesmo trabalhando e pagando imposto, näo pertenço. eu, pela primeira vez nesse lugar, sou igual, sou cidadä, posso votar.

mas sou eu, né?! planeta regente murphy. as urnas fecharam as 18h. já eram 21h. e depois de 8 anos esperando aquela carta eu só pude sentar e chorar.

... contagem regressiva para 2020.

19 maio, 2014

amarante em berlin

foto única e tosca de celular.  porque eu näo ia perder meu tempo tirando foto, né?

"o disco saiu há alguns dias... obrigado por virem aqui, mas eu näo sei quem säo vocês. quem säo vocês?"
... perguntou ali de cima do palco em bom inglês.

eu näo sei quem säo os outros, mas, pra minha surpresa, mais da metade deles näo entenderia se a pergunta fosse feita em português.

e eu näo sei quem säo os outros outros, mas essa aqui näo é mais aquela que assistiu do lado esquerdo do palco (o lado do coraçäo... e do amarante. mas é tudoamesmacoisa) de 2001 a 2006 a todos os shows do los hermanos em recife (e olha que näo foram poucos). nem aquela que näo sossegou enquanto näo viu a orquestra imperial na única visita ao rio de janeiro. e nem mesmo aquela, que ainda se arrepende, por näo ter visto o little joy poucos anos atrás em köln.

essa daqui - eu - descobri um dia desses a carreira solo de rodrigo amarante e seu "cavalo", álbum que me causou estranheza no primeiro momento, mas que näo saiu mais meu playlist (nem do meu coraçäo). entäo nada mais natural do que, ao saber da turnê européia, pular feito uma louca pela casa encarar 500km pra ir, e mais 500km pra voltar.

e foi recompensador. nada é mais interessante que reencontrar alguém que näo se vê há anos (música sempre é uma presença quase que física na minha vida... e los hermanos foi uma das presenças mais constantes na minha "pós-adolescência"). reconhecer o que quase já se tinha esquecido: as dancinhas (meio toscas) com a guitarra e o "só no sapatinho" (cara, desde 2006 que eu näo ouvia isso). mas perceber que a (ainda maior) barba ruiva vai ficando grisalha e que aquele lá, assim como eu, é outro.

e foi emocionante. um setlist no-vi-nho em folha, risadas, surpresas e nó na garganta.

prazer em te (re)conhecer, amarante. até a próxima.

13 maio, 2014

arejar e o drama nosso de cada dia


eu sou de recife. e näo sei bem se vocês estão familiarizados com o clima de recife, mas é assim: um calor da bexiga-lixa e uma humidade da moléstia! a única chance de sobreviver e näo ser corroído pelo mofo é abrindo as janelas pra arejar.

eu moro em münster, na alemanha. e näo sei bem de vocês estão familiarizados com o clima de münster, mas é assim: são mais de 50° de latitude, o que significa que sem sol (que diga-se de passagem, é tipo luz de geladeira), em qualquer estacão do ano, você vai passar frio, amiguinho. aí você pensa que a única chance de sobreviver é fechando a janela e ligando o aquecedor, certo? 

eu acho muito certo, mas os alemäes näo. arejar é o verbo mais praticado na alemanha. e pode fazer sol, nevar ou chover granizo que os teutöes täo lá de janela aberta. 

e hoje eu vim aqui apenas pra exemplificar melhor essa prática, e contar pra vocês de maneira sucinta sobre o meu dia-a-dia: eu trabalho num escritório com janelas enormes e duas alemäs. tcha-ran… fim da estória. 

05 maio, 2014

bloglovin'

eu acho que sou a única blogueira do mundo que näo usa o bloglovin' ... ou melhor... era.

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