24 julho, 2015

a canjica da minha mãe

amigos "do sul", isso é uma canjica (e num invente de chamar de curau, pamonha, munguzá, ou whatever)

a situaçäo é: säo joäo no nordeste. eu criança asmática nunca pulei fogueira por motivos de näo querer morrer de asfixia. me restava ficar dentro de casa, vestida a caráter e enchendo a pança de guloseimas juninas. nesse tempo meus pais compravam muitas e muitas DEZENAS (se näo centenas) de espigas de milho pra encher a casa de pamonha e canjica. eu e meu irmäo ajudávamos a descascar e limpar as espigas, meu pai ralava o milho, minha avó passava na urupema, e minha mäe se revezava com a babá pra mexer a panela. um evento.

aí eu mudei pra cá e o máximo de juninidade na minha vida foram uma ou outra canjiquinha em pó säo braz (que näo chega nem aos pééééés da canjica de mamis) ou pamonha... no natal. vejam bem.

mas aí apareceu milho verde no supermercado. coloquei seis míseras espigas de milho debaixo do braço, liguei pra minha mäe e decidi que eu também queria fazer canjica! e fiz! e deu certo!

... e o cheiro disso, minha gente?!

a receita é da minha mäe, que aprendeu com a minha vó ana, que aprendeu com a mäe dela... e que agora eu ensino pra vocês:

Canjica

6 espigas de milho médias
250ml de leite de vaca
250ml de leite de coco
cerca de 150gr de açúcar
1 pitada de sal
1 colher de sopa de manteiga
canela pra polvilhar



fica assim quando começa a engilhar!

1. com uma faca afiada corte os gräos de milho separando-os da espiga. (näo corte muito rente! minha mäe falou que fica com "gosto de sabäo". sabe-se lá o que isso significa);
2. no liquidificador bata os gräos de milho com o leite de vaca. peneire a mistura e repita o procedimento pelo menos duas vezes (a idéia é deixar a massa mais "fina". entäo quanto mais peneirado e mais fino, melhor);
3. leve a mistura ao fogo médio em uma panela funda (a massa dá umas pipocadas, ó) com a metade do açúcar, o sal e a manteiga mexendo até engrossar;
4. acrescente e leite de coco e mexa de vez em quando até ferver;
5. depois de ferver é hora de acertar o açúcar. entäo é ir adicionando e provando. no total eu usei 150gr (minha mäe usa um pouco mais);
6. daí pra frente é ir mexendo até dar o ponto (gente, canjica é mexer e mexer e mexer até o infinito!). e o ponto é o segredo do negócio: só depois de mais ou menos meia hora que a massa começar a engilhar é que a canjica tá pronta.
7. e pra provar que tá pronta mesmo, faça o teste do pires: coloque meia colher de chá da canjica num pires frio, deixe esfriar um pouquinho, e com a ponta dos dedos tente soltar as bordinhas do pires. se näo grudar tá pronto!
8. coloque numa travessa, polvilhe com canela, e bote um forrozinho  pé-de-serra pra tocar ;)


recomendo muito dobrar logo a receita porque acaba em dois tempos!
... e se preparem porque agora eu tô me achando e ainda vai rolar uma pamonha (que é o nível mais hardcore da coisa).

4 comentários:

  1. Manda um pedaço aqui para a Suécia? Sim? ;)

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    1. cara... acabou em menos de 24 horas. próxima vez faço logo uma porçäo gigante!
      mas, ó... tem canjica em portugal, é?

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  2. Engraçado, canjica em São Paulo é aquele grão branco (acho que no nordeste chamam de mungunzá). Isso que vc fez chamamos de curau.
    Mas tanto faz, curau ou canjica é gostoso demais!

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    1. ana célia, se juntar um pernambucano, um carioca, um paulista e um mineiro dá pra discutir hooooras sem chegar nunca a um consenso sobre os nomes dos pratos.
      em pernambuco os gräos brancos (feitos de tapioca) säo sagu, já o munguzá säo os gräo de milho cozidos em leite... olha que confusäo!

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