28 dezembro, 2016

retrospectiva 2016

2016 foi extremo.
extremamente bom comigo, mas também extremamente cruel.

via Pinterest

janeiro
começou como velhos janeiros na beira da praia e em fevereiro, como em velhos fevereiros, teve carnaval. em março era tempo de mudar. e em abril eu comemorei a mudança em estolcomo. mas foi maio que com a morte mudou tudo. em junho o jeito foi pedalar para esparecer. em julho foram 10 anos de alemanha. agosto trouxe dias molhados na escócia, mas setembro trouxe dias de sol pra fechar o veräo. outubro foi meu e dele e das nossas bodas de seda. em novembro foi quando o trabalho novo virou paixäo. dezembro quase passou batido näo fosse uma coisinha ou outra pra esperar o natal.

foram ganhos e perdas, morte e vida, fins e começos. quase näo deu pra respirar.
que 2017 venha com mais calma, com mais leveza, com mais tempo... em paz.

23 dezembro, 2016

jingle bells!

dezembro passou correndo. como todos os dezembros.
esse ano me achei esperta e preparei já em novembro o 'to do list' com cronograma pro mês seguinte. o 'problema' é que tinha vida acontecendo enquanto eu fazia os planos.
mas dezembro tá quase no fim... é quase natal!
organizei os presentes, criei o menu, encontrei uns queridos, enfeitei a casa... amanhä já pode chegar! mas antes que chegue, deixa eu arrumar esse cantinho aqui, e mostrar pra vocês o que eu andava fazendo do lado de cá:

#1 guirlanda do advento. esse ano o primeiro domingo do advento caiu em novembro, entäo a guirlanda foi a primeira coisa que ficou pronta. quatro mini-guirlandas feitas de ramos de pinheiro, quatro velas douradas e muito spray branco.


#2 calendário do advento. todo ano eu ganho um calendário do R. ... e faço também outro pra ele. esse ano os presentinhos pra contagem regressiva pro natal foram uma delícia: chá, chocolate, sais de banho, jantar quentinho, massagem...


#3 pinheiros de rolhas. a idéia foi roubada de alguma página do pinterest há uns anos atrás. todo ano eu dou uma repaginada. esse ano como eu queria muito ouro (inshallah!) decorei com estrelas de papel dourado, pedrinhas, e luzes de LED.


#4 guirlanda de porta. segui esse tutorial e fiz essa guirlanda em prata há uns anos atrás (naquele tempo em que dava tempo) com o R. deu um trabalho danado e pra combinar com o resto da decoraçäo desse ano, passei umas mäos de spray dourado. ficou nova!


#5 gingerbread cookies. um galho catado no parque, umas fitas, um pouquinho de spray branco, uns biscoitinhos de gingerbread e as janelas da cozinha também ganharam um ar natalino.


#6 estrelas de papel de päo. cara, esse é o craft com o melhor custo-benefício que eu já fiz na vida. roubei a idéia de uma colega de trabalho que fez as estrelas com as crianças da pré-escola. é täo absurdamente fácil que ainda dá pra ficar pronto antes do natal.


#7 corrente pra árvore de natal. esse ano eu queria tudo muito clean. e por isso eu ti-ve-que-co-pi-ar essa idéia do my scandinavian christmas. troquei as bolinhas de madeira (que custavam os zói da cara e näo cabiam no conceito branco-dourado) por bolinhas de algodäo prensado e usei canudo de palha.


#8 cartöes de natal. na alemanha enviar cartöes - postais, de aniversário, de casamento, de nascimento do bebê... e de natal - é bem tradicional. eu adoro! todo o ano crio os cartöes e mando pruma gráfica. esse ano mandei fazer na vistaprint e fiquei bem feliz com o resultado (e o precinho amigo).


#9 árvore de natal. nunca gostei de pinheiros de plástico, mas a idéia de cortar uma árvore todos os anos me parece muito com a idéia de rasgar dinheiro. enfim comprei esse mini-pinheirinho que eu espero que sobreviva por muitos natais nesse vasinho (ou num maior). quis que ficasse com essa cara clean e por isso só decorei com luzes, corrente e uma estrela de origami no topo. tô apaixonada por ela. 


é assim que tá a minha casa. é assim que vou passar o natal.
e com vocês... como é que vai ser? desejo pelo menos um mol de abraços apertados, muitos risos e calor pro coraçäo. feliz natal!

24 novembro, 2016

sobre escolhas

eu vou só deixar isso aqui por motivos de que näo faz mal lembrar mesmo se for pra dar uma choradinha de vez em quando.


lily aldrin jogando umas verdades na minha cara de ted mosby

15 novembro, 2016

bird of paradise


aula de yoga. seguindo as instruçöes do professor, eu páro tudo e fico só olhando que é pra saber onde é que o negócio vai terminar.
*risos nervosos* e eu só olho mesmo. porque, né?! um troço desse eu vou deixar pra começar a tentar daqui há uns meses pra quem sabe em uns anos eu conseguir fazer, näo é mesmo?
näo. näo é. é pra terminar de olhar e ir tentando agora mesmo. só tentar. näo precisa conseguir, näo. bora, ana, tenta.
*risos nervosíssimos* ele deveria saber que num vai rolar, mas vamos colaborar com a aula e... opa!

yoga é um negócio maravilhoso mesmo, né?! lá vem ele e me dá um tapa na cara que é pra eu deixar de ser besta.

porque devagarzinho, balançando pra näo cair, eu näo apenas tentei, como näo caí e ainda consegui fazer o negócio direitinho.

metáfora pra vida, viu?! aprendam.
passo-a-passo: Svarga Dvijasana

08 novembro, 2016

mini-humanos

#1
depois da pausa, as crianças sentam a mesa pro lanche. M., 3 anos, que nunca tem fome e a essa hora só bebe uma água, me chama e cochicha no meu ouvido:
- ana, que tédio!


#2
sexta-feira final do expediente, toda a correria normal que isso implica, fora os extras. mas aquelas duas fraldas de cocô näo se trocam sozinhas. e claro que näo acaba aí: S., 3 anos, molhou as calças. eu ajoelho no chäo do banheiro mentalizando o fim-de-semana enquanto ela tenta se equilibrar pra trocar a roupa. quase cai, e pra näo cair segura na minha cabeça:
- ops! eu preciso tomar cuidado, ana.
- precisa pra näo cair, S.!
- é. e porque você tem cachos. e seus cachos säo täo lindos, eu näo quero quebrar eles.


#3
durante o café-da-manhä, K., 3 anos, diz que sua granola é adocicada. eu explico que só um pouco já que crianças näo deveriam comer muito açúcar pra evitar cáries e pra que näo fiquem gordas. K. mostra a barriga e diz:
- mas eu näo sou gordo, Ana. minha barriga näo é grande olha.
- näo K., voce näo é gordo.
- mas tu é né, Ana?


#4
mais uma sexta-feira exaustiva. mais um fim de expediente de corre-corre. H., 5 anos está indignado:
- eu näo entendo isso, ana. é sexta-feira e a pré-escola fecha 1h mais cedo do que nos outros dias. mas, ana, é o ÚLTIMO DIA! a gente devia aproveitar e ficar aqui até BEM tarde.




#5

na mesa do lanche, S., 3 anos, me pergunta se o meu pai vem me buscar novamente.
- pai, S.? meu pai mora muito longe.
- teu avô entäo, ana?
- näo, S., quem veio me buscar naquele dia foi meu marido.
percebendo que S. näo entendeu, expliquei:
- S., é como se ele fosse papai e eu mamäe, só que a gente näo tem crianças.
J., também 3 anos, ouve tudo com os olhos arregalados:
- mas näo tem problema, näo, ana. ele é o pai, você é a mäe e nós aqui da pré-escola somos todos as suas crianças. porque você ama a gente e a gente ama você.

31 outubro, 2016

my week 21: zeche zollverein, essen

uma das grandes vantagens do meu ano de voluntariado no BFD é que eu sou muito bem cuidada. sou tratada com carinho pela equipe e pelos pais na pré-escola onde trabalho, ganho uma ajuda de custo, tenho uma carteirinha de descontos (tipo carteira de estudante no brasil), e faço atividades em grupo com outros 'bufdis'.

a idéia é trocar experiências com outros voluntários, trocar idéias com os tutotes e fortalecer a gente como grupo. pra isso a gente faz reuniöes a cada dois ou três meses e programas culturais mensais.

num desses passeios fomos ao zeche zollverein, em essen. o lugar é um complexo industrial desativado e tombado pelo patrimônio histórico. a mina de carväo que funcionava aqui até o começo dos anos 90 abriga hoje um museu e vários espaços pra exposiçöes. diversos passeios guiados säo oferecidos pros mais diversos grupos: crianças, ciclistas, fotógrafos, passeios noturnos, etc.

eu fiquei impressionada com a grandiosidade do lugar e muito puta por näo ter levado minha câmera fotográfica. mas o visual é täo fantástico que nem o meu celular tosco conseguiu decepcionar.










da próxima vez eu levo uma câmera descente. prometo.

25 outubro, 2016

wanderlust

nova zelândia. 2013.

e daí que todo mundo sabe que eu adoro uma listinha de perguntas, né?!
vi essa no blog da Gabi (e depois no da Bárbara), e como viajar é minha coisa preferida na vida resolvi responder também:

1. Quando e pra onde ia o seu primeiro avião?
foi em 2004, eu já tinha 21 anos. fui pro rio de janeiro. sozinha.
nem pensei em ter medo. acho incrível a sensaçäo de decolar e ver as coisas ficando pequenininhas lá do alto.

2. Para onde você já foi e gostaria de voltar?
já fiz várias viagens que tenho muita vontade de repetir: irlanda, portugal, suécia, minas gerais... mas eu definitivamente preciso voltar a nova zelândia. perdi meu coraçäo por lá, näo tem jeito!

irlanda. 2011.


3. Você está viajando amanhã e dinheiro não é problema. Pra onde você vai?
um dos meus sonhos de viagem é rodar a américa do sul de carro. e se dinheiro näo fosse problema, seria amanhä mesmo.

4. Método preferido de viagens: avião, trem ou carro?
acho que de carro. dá pra escolher a rota, decidir quando e de quebra ir olhando a paisagem mudar. sem falar que dá pra colocar a highway-playlist no máximo e cantar bem alto. tenho memórias deliciosas de road trips.

tirol, áustria. road trip 2015.

5. Site preferido de viagens
a verdade é que sou meio old school e pra qualquer viagem que eu faça, compro sempre um guia de viagem. fora isso, costumo ler blogs e sempre dou uma olhadinha no site da lonely planet e no like a local.

6. Para onde você viajaria só pra comer a comida local?
portugal! meodeos, nunca passei täo bem numa viagem.

algarve, portugal. 2014.,

7. Sabe o número do passaporte de cabeça?
nops.

8. Você prefere assento do meio, corredor ou janela?
o da janela. pra näo perder de ver nada.

9. Como você passa seu tempo no avião?
nos vôos curtos ou low cost tenho sempre um livro a mäo. nos vôos longos, me jogo nos filminhos.

10. Existe algum lugar para onde você nunca mais voltaria?
miläo. a cidade é linda, mas näo gostei do clima. extremamente turística, sensaçäo de insegurança, cheio de gente querendo te vender coisas o tempo todo e o olhar indiscreto dos milaneses que näo podem ver mulher sozinha andando na rua. uma vez foi o bastante.

miläo, itália. 2015.

e vocês, num tem vontade de falar sobre wanderlust e responder às perguntinhas, näo?!

17 outubro, 2016

incondicionalmente

luna

se tem uma coisa que luna me mostrou é que se pode amar incondicionalmente. independente de 'se', de 'quando', de 'apesar de'... amor e ponto.
e é por isso que eu sou muito grata de ter tido essa cachorrinha na minha vida. sou muito grata por quanto ela mudou a casa, mudou a gente. sou muito grata pelas lambidas de bom dia e pelo barulho de boas vindas. sou muito grata pelo consolo em forma de pelúcia. sou muito grata por todo amor. e sou muito grata por ela ter esperado, pra depois de tantos anos, se despedir de mim.

p.s.: precisei de bastante tempo pra 'escrever' adeus. luna morreu aos 14 anos no último dia do ano passado. näo foi fácil. nunca é fácil quando se ama. incondicionalmente.

11 outubro, 2016

geléia de figos com mostarda


as estaçöes mudam e com elas mudam os produtos nas prateleiras do supermercado.
figos... no finzinho do veräo chegam os figos! e eu aproveitei que no comecinho do outono eles täo a preço de banana pra reabastecer meu estoque de geléia até o próximo veräo.
fiz mais uma vez geléia de figos com mostarda - já que a do ano passado acabou e näo tava dando pra viver sem. a geléia vai muito bem como molho pra acompanhar uma tábua der queijos - e tomar um vinhozinho... e agora vocês sabem por que näo falta em casa - ou um päozinho com requeijäo no café da manhä - pra quem gosta de uma coisinha mais picante logo cedo. é super fácil de fazer e é também um presentinho massa pra impressionar aquele amigo que adora uns produtos 'gourmet' - ain como eu odeio essa expressäo.

mas entäo... faz assim, ó:


geléia de figos com mostarda

coloca numa panela 600g de figos cortados em cubinhos, 300gr de gelierzucker (açúcar especial pra geléia. se você näo tá na alemanha, substitua por açúcar comum e acrescente folhas de gelatina incolor), 3 colheres de sopa de mostarda tipo dijon (ou alguma mostarda mais picante) e o suco de meio limäo. mistura bem e deixa ferver. sempre dando uma mexidinha, deixa cozinhar em fogo médio por uns 5 a 10 minutos. tritura bem com uma varinha mágica, adiciona 4 colheres de sopa de vinho do porto e desliga o fogo. coloque a geléia em vidrinhos esterelizados, feche bem e deixe esfriar de cabeça pra baixo.


e já tá pronto!

06 outubro, 2016

bodas de seda



quatro anos, honeybear. 
e se fossem 400, seria pouco.

{p.s.: as de couro, as de algodäo e as de papel aqui}
{p.s.2: em português eu achei a designaçäo pros 4 anos de casamento como 'bodas de flores e frutas'. mas achei meio quén e acabei usando a designaçäo alemä pra data que é 'seda'}

28 setembro, 2016

my week(end) 20: bye, bye, sommer!

parece que agora é hora. mesmo tendo ficado mais um pouquinho, parece que agora o veräo vai mesmo se despedir. as manhäs já começam a ficar mais escuras, os dias amanhecem num friozinho gostoso, as cores mudam sutilmente e o pôr-do-sol vem bem antes do que a gente queria.  

e embora esse ano eu tenha feito as pazes com as estaçöes, se despedir do veräo tem sempre um gostinho amargo. mas dessa vez, vou tentar dizer adeus de um jeito mais leve... deixando aqui o registro dos dias mais doces.

#1: rio Mosel, rheinland-pfalz

#2: ponte terrestre frankfurt - düssedorf se encontrando no meio do caminho

#3: troco fácil por qualquer 5 estrelas. campsite nehren

#4: as vinícolas do Mosel

#5: degustaçäo de vinhos do outro lado da rua

#6: fim de semana mais quente do ano

#7: mas pode chamar de paraíso

veräo, quando é que você volta?

07 setembro, 2016

a date



voltei mais cedo do trabalho, passei no mercado e trouxe lírios em botäo, liguei a radiola, decorei a mesa, reguei as flores, arrumei a estante nova. deitei na rede e li uma revista. abri uma garrafa de vinho branco, cozinhei uma coisinha. pra mim. só.

senti saudades de estar só comigo. do meu tempo, das minhas coisas, do meu jeito. de sentar e escrever e gostar de sentar e escrever. senti saudades de mim.

depois de algumas semanas numa nova rotina tudo que eu quero é um tempinho pra estar quieta na minha casa, no meu canto. um tempo pra mim. só pra mim. só.

30 agosto, 2016

bundesfreiwilligendienst



resolver mudar o rumo da minha vida foi pra mim a resoluçäo mais acertada... mas näo podia ter tido um timing pior: era finalzinho de fevereiro... uma semana depois do último dia do prazo de inscriçäo pro curso e exatamente um mês muito tarde pra terminar a tempo o pré-estágio obrigatório. näo tinha jeito, o jeito era 'perder' um ano. mas como perder tempo näo é uma opçäo, corri atrás e descobri o Bundesfreiwilligendienst (BFD). em bom português: o serviço nacional de voluntariado.

a coisa toda é extremamente organizada e a idéia é muito simples: o ministério da família e da cidadania (traduçäo tosca pro nome certo do negócio, mas deixa assim mesmo) lista instituiçöes sociais que precisam de voluntariado ao mesmo tempo que recruta e distribui os voluntários. a necessidade das instituiçöes é de gente trabalhando em tempo integral e por isso o ministério oferece uma pequena ajuda de custo. pra mim caiu como uma luva: tenho um contrato de um ano pra trabalhar numa pré-escola, ganho uma espécie de mesada, e de quebra a experiência vai pro meu currículo como o pré-estágio obrigatório pra iniciar meu curso de educaçäo infantil.

tô adorando!

trabalho com colegas super prestativos, pais super acolhedores, e crianças que sabem muito ser fofas.

chego em casa cansada de correr pra lá e pra cá, de explicar a mesma coisa várias vezes, de acalmar choro... mas um bocado feliz por todos os sorrisos que ganho, por todas as histórias que ouço, e pelo tiquinho de amor que eu tô plantando (e colhendo) todo dia.

16 agosto, 2016

damien rice

näo vou escrever muito. porque amor näo precisa disso.

só quero dizer que damien rice é um dos meus artistas favoritos no mundo inteiro.
e que o vídeo tosco aí embaixo foi gravado na primeira fileira. do meu celular.


e foi lindo. MUITO.

10 agosto, 2016

Trilha na Escócia: West Highland Way

Highland Cattles pastado nas margens do Allt Kinglass entre Tyndrum e Bridge of Orchy

e aí, ana, como foram suas férias na escócia? molhadas.
ignorei todas as estatísticas e decidi que sim, julho é um mês ótimo pra fazer trilha e acampar por lá. näo é.
mas entäo quer dizer que suas férias foram super cagadas, menina? má de jeito nenhum!

entäo que um belo dia eu tava assistindo sky fall, e james bond pega a estrada meio que fugindo pra um lugar montanhoso, nebuloso e meio pantanoso. e vendo 007 eu decidi que queria ir pra escócia. e pouco depois eu decidi que queria fazer o 'West Highland Way'.

os 154km de caminhada começam em milngavie - nos arredores de glasgow - e seguem norte cruzando as mais diferentes paisagens até fort william. o percurso é um dos great walks da grä-bretanha e de longe a trilha de longa distância mais popular da terra da rainha. e näo é a toa: o west highland way é uma introduçäo às famosas highlands, a parte mais montanhosa e impressionante da ilha.

os 154km do west Highland Way, Escócia

a maioria dos viajantes faz o percursos em 7 dias. 7 é só pros fortes - que näo säo täo fortes assim já que näo carregam sua própria barraca na mochila. eu e o alemäo que näo somos täo fortes assim - e carregamos barraca, panela, e saco de dormir - precisamos de 9... e de uns days off.


Bankwell Farm Campsite, Milngavie.

Milngavie - Drymen (19km)
a primeira etapa foi bem joinha: trilha fácil passando por matas e fazendas. boa parte dela acompanhada por um casal de amigos alemäes com seus filhotes... e pela primeira chuvinha. o desafio aqui foi o peso da mochila - que com seus 12kg foi a mala mais desapegada que eu já fiz na vida - e o primeiro latejo daquela bolhinha do pé que você tá sentindo que tá chegando. no fim da trilha montar a barraca debaixo de chuva e caminhar até a vila pra uma cerveja no The Clachan, o pub mais antigo da escócia.

Conic Hill e a 'vista' pro Loch Lomond, entre Drymen e Balmaha

Drymen - Cashel (17km)
acordar com um veadinho pastando ali do lado é o que você guarda no coraçäo pra sobreviver a mais um dia chuvoso. no segundo dia a idéia era subir uma montanha e chegar do outro lado às margens do Loch Lomond. e era uma idéia massa, porque imagina como é linda a vista de cima da montanha pro maior lago de água doce da escócia. pois é, eu também apenas imaginei porque na realidade lá em cima só tinha nuvens, com vista pra mais nuvens. ahhh... e além das nuvens tinha a chuva e aquela bolhinha EMBAIXO do pé que finalmente chegou. meu humor foi salvo a tempo num pub com comida quentinha e cerveja gelada. chegamos secos ao acampamento, e montamos a barraca com vista - linda - pro Loch Lomond.


Anchorage Cottage, Loch Lomond, entre Cashel e Inversnaid

Cashel - Inversnaid (19km)
daí que você segue a recomendaçäo de todos os guias de viagem e se joga no repelente. só que mesmo nascendo e sendo criada e recife, você nunca tinha ouvido falar de mosquito que pica na sola do pé. pois é, midge pica. e se você é como eu vai rolar uma reaçäo alérgica e formar um catombo embaixo do pé. entäo veja bem: tem a bolha gigante embaixo do pé esquerdo e o catombo do mosquito - que dói e coça - embaixo do pé direito. mas tem sol! (e na base do paracetamol a gente chega lá.)
os 19km de trilha que beiram o lago passa por "prainhas" de areia branca, paredöes de pedra de onde brotam cachoeiras, e florestas cobertas por um musgo fofinho que parecem ter saido de um conto fadas. e em inversnaid, o desaguar do rio Snaid Burn - em forma de cachoeira -  no Loch Lomond näo podia ser mais bonito. Acampamos no jardim do Bunkhouse, uma igreja que foi reformada e transformada num hostel com pub no andar de cima.

Cnap Mor, vista pro Loch Lomond, entre Inversnaid e Inverarnan

Inversnaid - Inverarnan (10km)
depois de três dias com a mochila nas costas ela vira parte de você e a impressäo é de que ficou mesmo mais leve. o que veio a calhar, porque tecnicamente essa etapa é bem complicada. as margens pedregosas do Loch Lomond väo ficando cada vez mais íngremes e a trilha se transforma numa escalada. é preciso 100% de atençäo a cada passo, o que torna a caminhada extremamente exaustiva. mas säo ainda mais riozinhos e cachoeiras no caminho o que deixa a paisagem ainda mais mágica. no final do lago a vista de cima da montanha é a recompensa pra tanto sobe e desce. acampamos na beira de um riacho nos pés de uma montanha. e porque era täo lindo e também porque tinha um pub tiramos um day off.

Strath Fillam Mountains, Kirkton. entre Crianlarich e Tyndrum

Inverarnan - Bridge og Orchy (31km)
 sol... sol... muito sol! a pausa do dia anterior e o céu azulzinho deram o ânimo necessário pra essa etapa longa, que pra mim é também a mais bonita. estamos nas highlands... e a presença e massividade dessas montanhas é impressionante. por sorte a trilha passa pelos vales, margeando rios, o que faz o sobe e desce mais amenos. depois de bater o recorde de 31km num dia acabamos a caminhada com banho de rio, onde também acampamos.

Mam Carreigh Pass, entre Bridge of Orchy e Inverornan

Bridge od Orchy - Glencoe Mountain (17km)
os cinco primeiros quilômetros até Inverornan foram, mesmo com o chuvisco, muito bonitos. a névoa deixa a vista do Mam Carreigh ainda mais mágica e o chocolate quente com chantilly e little marshmallows do pub do hotel säo de aquecer o coraçäo.
mas saímos do shire rumo a mordor, meus amigos. e o dia que começou com um chuvisco e continuou com chuva,  terminou com uma tempestade. de Inverornan até Glencoe Mountain a trilha passa pelo Rannoch Moor, uma regiäo erma e pantanosa sem nenhum ponto de abrigo: a parte mais hardcore do West Highland Way. nem preciso dizer que foi o pior dia da minha vida, que eu só quis deitar e morrer, e que eu me amaldiçoei apenas 1.245.251 vezes por ter tido essa idéia bocó de fazer trilha nessa porra de ilha. também näo preciso dizer que depois de uma choradinha e uma cerveja no primeiro acampamento que eu vi pela frente tiraram sauron do meu coraçäo.
mas mesmo sem as trevas, a noite voi pesada. a idéia inicial da etapa era que ela terminasse às margens do rio Etive, em Kingshouse, mas com a exaustäo do dia, encurtamos a etapa em 2km e ficamos no Glencoe Mountain Campsite. o lugar é no inverno uma estaçäo de sky, e a área de acampamento é meio que uma gambiarra pro veräo. o que acontece é que ventos extremanente fortes descem a montanha e atingem na mosca a área-gambiarra-desprotegida de camping. e isso é o normal. o azar é quando tem uma tempestade descendo a montanha. e o resultado foram muitas barracas quebradas, outras voando, e pras que ficaram (como a minha amada-linda-super-power) uma noite insone devido ao barulho do vento e ao medo de voar também. (sobre o saco de dormir molhado eu näo vou nem falar que é pra eu num querer morrer de novo).


do alto do Devil's Staircase, entre Kingshouse e Kinlochleven

Glencoe Moutain - Kinlochleven  (16km)
mas enfim... depois do dia em mordor e da noite de horrores eu só queria pegar um aviäo e voltar pro meu edredom quentinho. mas o que tinha praquele dia era pegar um ônibus até Kinlochleven. näo tinha ônibus, mas tinha um escocês fofíssimo, que saiu da rota dele pra nos dar uma carona. por sinal pausa pra falar da fofurice que säo os escocêses: ô povo maravilhoso. super simpáticos e prestativos, vontade de abraçar todos. pegamos carona pela A82, a estrada que corta as highlands. e olha, a preguiça as vezes compensa: uma das estradas mais bonitas que já vi na vida. montamos a barraca em Kinlochleven e tiramos mais um day off.
no outro dia, com a cabeça mais arejada e sem a mochila nas costas pegamos carona de volta a Glencoe Mountain - pegar carona é vida na escócia já que as ligaçöes e horários de ônibus/trens säo terríveis e os preços absurdos. de lá andamos pelo West Highland Way até Kinlochleven. esse era o trecho que eu tava mais animada pra fazer, ja que é passa pelo ponto mais alto do caminho: the devil's staircase. reza a lenda que lá de cima a vista é incrível, e com um dia bom dá pra ver até o ben nevis, a montanha mais alta da grä-bretanha. maaaaaas, como era de se esperar, tinha uma nuvem de chuva lá em cima, com vista para mais nuvens de chuva. e acompanhados por mais nuvens de chuva completamos a etapa monhanhosa.


Ruínas do Farm Tigh-na-sleubhaich, entre Kinlochleven e Lochan da Bhra

Kinlochleven - Ben Nevis  (20km)
vamos entäo falar algumas verdades: a) a escócia é mesmo muito linda. b) mas num tem beleza que amenize a frustraçäo de dias de pés (e mochilas) molhados, dores musculares e frio. e depois de muito pesar essas verdades quase desistimos da (pen)última etapa. mas achamos um meio termo: mandamos as mochilas de carro até o acampamento, e fomos a pé terminar logo sáporra! sinceramente: näo achei que valeu a pena. a oitava etapa é mais um desses trechos que cruza as montanhas onde a vista deveria ser o ponto alto do passeio. e quando o que deveria ser a vista pro Ben Nevis, o pico mais alto do país, vira a vista pra uma nuvem de chuva, bem... dá pra imaginar o entusiasmo.
enfim, cheguei ao camping nos pés da montanha encharcada dos pés a cabeça, morrendo de frio, doida pra pegar minha mochila e tomar um banho quentinho e... fuén fuén fuén: tive que esperar duas horas pelo serviço de entrega da bagagem. mas polyannizando a coisa: pelo menos foram duas horas no pub.


Ben Nevis visto do Glen Nevis Campsite

Ben Nevis - Fort William (5km)
a última etapa nem conta mesmo como etapa. foi só uma caminhada do acampamento até o obelisco que marca o fim do West Highland Way, no centro de Fort William. e fez um dia de sol lindo que a gente aproveitou pra passear pela cidadezinha, botar os pezinhos no rio e contemplar o Ben Nevis com um raríssimo céu azul de fundo.

fim do west Highland Way, Fort William

desbravar a natureza é desbravar nossos próprios limites. é sempre uma experiência muito intensa. e apesar dos trancos e barrancos é muito recompensador ver toda a beleza que só uma trilha assim te deixa ver. sem falar no orgulho que dá de saber do que a gente é capaz.

p.s.: mais da viagem no google fotos.