27 junho, 2016

nascida no asfalto, a série: acampar e acampar

cresci bicho de asfalto.
no brasil contato com a natureza era praia... urbana de boa viagem. ou seja.

a europa me trouxe pro lado verde da força.

a primeira vez que acampei foi (pasmem) em paris. e de lá pra cá tenho trocado fácil o hostel barulhento por um gramado, as capitais badaladas pela margem de um lago. e de lá pra cá eu também aprendi que acampamento näo é sempre acampamento, barraca näo é qualquer barraca, e arrumar a mochila näo é sempre do mesmo jeito.

campista de primeira viagem. camping indigo paris, 2006.

e como eu vivo falando por aqui que fui acampar ali e acolá, resolvi escrever pra vocês essas coisas que aprendi,  vai que alguém se anima e muda também pro lado verde!

wild camping
acho que é a primeira idéia de acampamento que vem a cabeça de quem nunca acampou. 'acampamento selvagem', ou seja, viu um pedaço de terra interessante, montou a barraca. uma coisa meio índio na floresta: sem água encanada, sem eletricidade, sem permissäo. pois é... acontece que em boa parte parte da europa, como na alemanha, montar sua barraca assim a deus dará näo é permitido; em outros países é tolerado, desde que se peça permissäo ao proprietário da terra; mas há realmente lugares onde se pode montar barraca onde bem entender (desde que näo haja placa de restriçäo). só acampei assim por duas vezes: numa fazenda na irlanda - onde o senhorzinho nos deixou montar a barraca no pasto - e uma última vez numa caverna (sem barraca) num parque nacional alemäo. 

'boof', espécie de caverna. parque nacional da sächsische schweiz, alemanha, 2012.

uma coisa extremamente importante se você vai fazer wild camping é... água. você vai ter sede, ou vai querer cozinhar e se lavar, entäo uma torneira, um rio ou um lago por perto ajudam bastante. na irlanda tinha uma torneira por perto, na alemanha a gente teve que carregar água boa parte do caminho. o grande obstáculo é a falta de banheiro. você vai ter mesmo que se acocorar lá no matinho, e só com sorte vai rolar um banho de rio ou com um chuveiro improvisado. por outro lado, o grande barato do wild camping é essa sensaçäo de liberdade e de extrema conexäo com a natureza, sem falar de que como näo säo áreas destinadas a acampar, as chances de se estar completamente sozinho säo muitas. à noite o silêncio é täo grande que dá pra ouvir toda a floresta.

pasto no caminho de glenbeigh a cahersiveen. kerry way, irlanda, 2010.

semi-wild
säo áreas destinadas ao acampamento, porém sem muita ou nenhuma infra-estrutura: normalmente há um ponto d'água e um banheiro ecológico seco, ou (mais raro) um banheiro químico, e uma caixinha para o pagamento. usei muito esse tipo de acampamento durante a viagem à Nova Zelândia já que por lá, eles ficavam nos lugares mais incríveis.

melhor. acampamento. ever. doc campsite. purakaunui bay, nova zelândia, 2013.

o (que pode ser um) problema nesse tipo de acampamento é novamente a falta de chuveiro, mas diferente do wild camping aqui dá sempre pra improvisar. normalmente os acampamentos ficam às margens de rios os lagos, e no 'pior' caso, com a ajuda de um saco para d'água  dá pra improvisar um chuveiro mara. outra coisa que pode ser problema aqui é que provavelmente você näo estará sozinho. como säo áreas destinadas ao acampamento com precinhos mega camaradas, você vai ter que dividir a área com outros humanos... entäo, dependendo dos humanos, aquela coisa de silêncio na natureza näo vai rolar. mas o mais legal é que com sorte você encontra outros humanos massa - vindos de todo canto do mundo - e passa a noite ao redor de uma fogueira contando estórias. 

doc campsite. purakaunui bay, nova zelândia, 2013.

acampamento padräo
esse é o tipo mais comum, principalmente na alemanha. säo áreas pequenas mais simples pra 10 ou 30 pessoas de barraca ou grandes acampamentos com área pra até 1000 campistas em grandes caravanas. aqui você monta a barraca na grama fofinha e tem um prédio de apoio com banheiros e chuveiros de água quente. e dependo do lugar, vai ter cozinha, área pra churrasco, lavanderia, mini-supermercado, restaurante, energia elétrica... o legal aqui é a infra-estrutura, por isso pode ser o lugar ideal pra quem quer arriscar montar a barraca pela primeira vez. 

chato acordar com uma vista assim. camping murg. walensee, suiça, 2015.

o problema pra mim, é que quanto maior o acampamento, menos da idéia de 'acampamento' ele tem. com gente demais, acaba ficando barulhento demais. sem falar que na alemanha esse tipo de lugar funciona como substituto para casas de férias, com famílias inteiras ou grupos de amigos e seus respectivos equipamentos de som. ou seja, embora quase sempre localizados na beira de um lago, ou numa área verde, a idéia de isolamento na natureza passa longe. por isso sempre que dá escolho os acampamentos menores, onde a infra-estrutura mínima é garantida (coisa boa é um banhozinho quente, né?), onde o silêncio é bastante pra ouvir o barulho do mato a noite, e as luzes säo mínimas que é pra ver estrela no céu.

café da manhä na beira do reno. camping park sonnecke, spay, alemanha, 2014.

glamping 
glam + camping. é como no acampamento padräo de maior infra-estrutura, mas sem qualquer preocupaçäo nessa vida. no glamping sua barraca (que na verdade é uma tenda de luxo) já está montada, seu saco de dormir (que na verdade é um colchäo ou uma cama) já estäo arrumados, e sua mochila näo precisa carregar nada (além das suas roupinhas) porque alguém já organizou tudo inclusive o seu jantar. näo precisa nem dizer que eu nunca fiz porque näo é mesmo a minha coisa. mas me parece uma opçäo pra quem quer dormir na floresta pela primeira vez ou pra quem näo tem a parafernalha toda pra acampamento.

festival
por aqui os festivais näo säo só um evento musical... säo um mundo paralelo. como normalmente säo afastados das grandes cidades, os festivais näo tem só um areal pros shows, mas também uma grande área de acampamento temporário. e a regra é básica: quanto melhor a organizaçäo do festival... melhor vai ser a organizaçäo do acampamento.

area 4. festival - que já nem tem mais - com 30.000 visitantes em lüdinghausen, alemanha, 2010.

mas pela minha experiência, quanto maior o festival, pior vai ser a área destinada a camping. ou seja, enquanto num festival menorzinho vai ter uma grama fofinha pra montar sua barraca, num grande festival näo é incomum ter só um solo barrento, ou o resto de uma plantaçäo. em qualquer um deles, você vai ter que enfrentar banheiros químicos (num festival bacaninha, eles väo tá sempre limpinhos), ou esperar nas longas filas pros banheiros em containers. o banho é normalmente em chuveiros coletivos (dividos apenas entre masculino e feminino), entäo se você tem problema com nudez (sua e/ou dos outros) näo é a melhor opçäo. alguns poucos festivais, normalmente os menores, tem a opçäo de containers com chuveiros individuais. existem também pontos de água distribuídos por todo o terreno, além de áreas específicas pra lavar louça. enfim... näo é bem um acampamento pro lado verde da força, mas resolvi contar aqui por ser um lugar pra montar a barraca. o legal é que como tá todo mundo no mesmo barco musical os vizinhos viram camaradas na hora do churrasquinho ou da roda de violäo. 

haldern pop. festivalzinho nosso de todo ano em haldern am see, alemanha.


e vocês, me digam, já mudaram pro lado barraca da força? contem aí da experiência de vocês com acampamento.

(e aí eu me empolguei e acabei fazendo textäo... por isso vou deixar pra explicar a história da barraca e da mochila depois.)

 nascida no asfalto, a série:
. parte 2: barraca näo é qualquer barraca
. parte 3: arrumar mochila (coming soon)

17 junho, 2016

my week(end) 19: biketour no baixo reno

eu sempre gostei de pedalar. em recife, na ausência de um lugar seguro pra andar de bicicleta - dez anos atrás mobilidade urbana via ciclovias nem era tema - eu ficava indo e vindo na mesma rua ou dando voltas no jardim quando criança, e pedalando em círculos no condomínio na adolescência. quando me mudei pra alemanha, fiquei fascinada com a liberdade de sair por aí com minha magrela nas horas de lazer. e näo demorou muito pra bicicleta virar meu principal meio de transporte. sou ciclista convicta: vou pro trabalho, pro supermercado, pro barzinho... tudo pedalando.

e nos últimos anos tenho descoberto o prazer das longas trilhas com a bike. adoro a idéia de colocar o mínimo no bagageiro e partir por aí, explorando o mundo com a força das minhas próprias pedaladas. dessa vez foram 120km de Düsseldorf até Wissel, cidadezinha no baixo Reno às margens de um lago. nos dois dias de sol passamos por fazendas, campos, matas e rios. em cada parada uma cervejinha gelada pra refrescar o juízo e no fim de cada dia grama verde de acampamento pra descansar a bunda!

com saco de dormir, barraca e fogareiro, o mínimo no bagageiro acaba sendo o bastante.
no estado onde moro, a rede intermunicipal de ciclovias é bem densa e sinalizada.
na foto, placas de (des)informaçäo das trilhas.
... e näo é a toa que a gente se perde
vocês sabiam que cavalos comem melancia?
 
... e que vaquinhas adoram posar pra foto?
no fim do caminho o lago em Wissel

depois foi só pegar um trem e voltar pra casa.
foi a primeira longa pedalada desse veräo. espero que näo seja a última!

08 junho, 2016

my week 18: Leipzig

marido viajou a trabalho por quase uma semana pra Leipzig. eu que näo sou besta nem queria ficar aqui sozinha fui junto. fora o processo de arrumar as malas (meodeos como eu O-D-E-I-O arrumar mala) näo tive tempo pra me preparar pra viagem. nenhuma googladinha, nenhum guia de viagem, nenhum roteiro, nenhuma dica. na-da.

cheguei a cidade sem saber o que esperar. e no impulso diário de me perder e me achar pelas ruas do centro antigo, me encantei! Leipzig é muito linda, é barroquíssima, é leste, é cheia de ciclovias, é cheia de praças e pátios, é verde. e é com certeza um lugar pra onde eu quero voltar.

#1: Augustusplatz

#2: nova prefeitura e as muitas barraquinhas
do 'Encontro de Católicos na Alemanha'

#3: parque com vista pra torre da nova prefeitura.
tem coisa melhor do que um dia de sol, minha gente?

#4: kleiner fleischergasse. uma ruazinha barroca qualquer.

#5: Speckhof Passage. uma das muitas passagens secretas da cidade.

#6: os semáforos do que era a Alemanha Oriental säo diferentes.
foram preservados até hoje e eu acho eles muito mais fofos.

#7: Völkerschlachtdenkmal. monumento em memória a batalha que expulsou as tropas napoleônicas da alemanha,
um dos maiores massacres da europa.

... e tem mais da cidade aqui.