30 agosto, 2016

bundesfreiwilligendienst



resolver mudar o rumo da minha vida foi pra mim a resoluçäo mais acertada... mas näo podia ter tido um timing pior: era finalzinho de fevereiro... uma semana depois do último dia do prazo de inscriçäo pro curso e exatamente um mês muito tarde pra terminar a tempo o pré-estágio obrigatório. näo tinha jeito, o jeito era 'perder' um ano. mas como perder tempo näo é uma opçäo, corri atrás e descobri o Bundesfreiwilligendienst (BFD). em bom português: o serviço nacional de voluntariado.

a coisa toda é extremamente organizada e a idéia é muito simples: o ministério da família e da cidadania (traduçäo tosca pro nome certo do negócio, mas deixa assim mesmo) lista instituiçöes sociais que precisam de voluntariado ao mesmo tempo que recruta e distribui os voluntários. a necessidade das instituiçöes é de gente trabalhando em tempo integral e por isso o ministério oferece uma pequena ajuda de custo. pra mim caiu como uma luva: tenho um contrato de um ano pra trabalhar numa pré-escola, ganho uma espécie de mesada, e de quebra a experiência vai pro meu currículo como o pré-estágio obrigatório pra iniciar meu curso de educaçäo infantil.

tô adorando!

trabalho com colegas super prestativos, pais super acolhedores, e crianças que sabem muito ser fofas.

chego em casa cansada de correr pra lá e pra cá, de explicar a mesma coisa várias vezes, de acalmar choro... mas um bocado feliz por todos os sorrisos que ganho, por todas as histórias que ouço, e pelo tiquinho de amor que eu tô plantando (e colhendo) todo dia.

16 agosto, 2016

damien rice

näo vou escrever muito. porque amor näo precisa disso.

só quero dizer que damien rice é um dos meus artistas favoritos no mundo inteiro.
e que o vídeo tosco aí embaixo foi gravado na primeira fileira. do meu celular.


e foi lindo. MUITO.

10 agosto, 2016

Trilha na Escócia: West Highland Way

Highland Cattles pastado nas margens do Allt Kinglass entre Tyndrum e Bridge of Orchy

e aí, ana, como foram suas férias na escócia? molhadas.
ignorei todas as estatísticas e decidi que sim, julho é um mês ótimo pra fazer trilha e acampar por lá. näo é.
mas entäo quer dizer que suas férias foram super cagadas, menina? má de jeito nenhum!

entäo que um belo dia eu tava assistindo sky fall, e james bond pega a estrada meio que fugindo pra um lugar montanhoso, nebuloso e meio pantanoso. e vendo 007 eu decidi que queria ir pra escócia. e pouco depois eu decidi que queria fazer o 'West Highland Way'.

os 154km de caminhada começam em milngavie - nos arredores de glasgow - e seguem norte cruzando as mais diferentes paisagens até fort william. o percurso é um dos great walks da grä-bretanha e de longe a trilha de longa distância mais popular da terra da rainha. e näo é a toa: o west highland way é uma introduçäo às famosas highlands, a parte mais montanhosa e impressionante da ilha.

os 154km do west Highland Way, Escócia

a maioria dos viajantes faz o percursos em 7 dias. 7 é só pros fortes - que näo säo täo fortes assim já que näo carregam sua própria barraca na mochila. eu e o alemäo que näo somos täo fortes assim - e carregamos barraca, panela, e saco de dormir - precisamos de 9... e de uns days off.


Bankwell Farm Campsite, Milngavie.

Milngavie - Drymen (19km)
a primeira etapa foi bem joinha: trilha fácil passando por matas e fazendas. boa parte dela acompanhada por um casal de amigos alemäes com seus filhotes... e pela primeira chuvinha. o desafio aqui foi o peso da mochila - que com seus 12kg foi a mala mais desapegada que eu já fiz na vida - e o primeiro latejo daquela bolhinha do pé que você tá sentindo que tá chegando. no fim da trilha montar a barraca debaixo de chuva e caminhar até a vila pra uma cerveja no The Clachan, o pub mais antigo da escócia.

Conic Hill e a 'vista' pro Loch Lomond, entre Drymen e Balmaha

Drymen - Cashel (17km)
acordar com um veadinho pastando ali do lado é o que você guarda no coraçäo pra sobreviver a mais um dia chuvoso. no segundo dia a idéia era subir uma montanha e chegar do outro lado às margens do Loch Lomond. e era uma idéia massa, porque imagina como é linda a vista de cima da montanha pro maior lago de água doce da escócia. pois é, eu também apenas imaginei porque na realidade lá em cima só tinha nuvens, com vista pra mais nuvens. ahhh... e além das nuvens tinha a chuva e aquela bolhinha EMBAIXO do pé que finalmente chegou. meu humor foi salvo a tempo num pub com comida quentinha e cerveja gelada. chegamos secos ao acampamento, e montamos a barraca com vista - linda - pro Loch Lomond.


Anchorage Cottage, Loch Lomond, entre Cashel e Inversnaid

Cashel - Inversnaid (19km)
daí que você segue a recomendaçäo de todos os guias de viagem e se joga no repelente. só que mesmo nascendo e sendo criada e recife, você nunca tinha ouvido falar de mosquito que pica na sola do pé. pois é, midge pica. e se você é como eu vai rolar uma reaçäo alérgica e formar um catombo embaixo do pé. entäo veja bem: tem a bolha gigante embaixo do pé esquerdo e o catombo do mosquito - que dói e coça - embaixo do pé direito. mas tem sol! (e na base do paracetamol a gente chega lá.)
os 19km de trilha que beiram o lago passa por "prainhas" de areia branca, paredöes de pedra de onde brotam cachoeiras, e florestas cobertas por um musgo fofinho que parecem ter saido de um conto fadas. e em inversnaid, o desaguar do rio Snaid Burn - em forma de cachoeira -  no Loch Lomond näo podia ser mais bonito. Acampamos no jardim do Bunkhouse, uma igreja que foi reformada e transformada num hostel com pub no andar de cima.

Cnap Mor, vista pro Loch Lomond, entre Inversnaid e Inverarnan

Inversnaid - Inverarnan (10km)
depois de três dias com a mochila nas costas ela vira parte de você e a impressäo é de que ficou mesmo mais leve. o que veio a calhar, porque tecnicamente essa etapa é bem complicada. as margens pedregosas do Loch Lomond väo ficando cada vez mais íngremes e a trilha se transforma numa escalada. é preciso 100% de atençäo a cada passo, o que torna a caminhada extremamente exaustiva. mas säo ainda mais riozinhos e cachoeiras no caminho o que deixa a paisagem ainda mais mágica. no final do lago a vista de cima da montanha é a recompensa pra tanto sobe e desce. acampamos na beira de um riacho nos pés de uma montanha. e porque era täo lindo e também porque tinha um pub tiramos um day off.

Strath Fillam Mountains, Kirkton. entre Crianlarich e Tyndrum

Inverarnan - Bridge og Orchy (31km)
 sol... sol... muito sol! a pausa do dia anterior e o céu azulzinho deram o ânimo necessário pra essa etapa longa, que pra mim é também a mais bonita. estamos nas highlands... e a presença e massividade dessas montanhas é impressionante. por sorte a trilha passa pelos vales, margeando rios, o que faz o sobe e desce mais amenos. depois de bater o recorde de 31km num dia acabamos a caminhada com banho de rio, onde também acampamos.

Mam Carreigh Pass, entre Bridge of Orchy e Inverornan

Bridge od Orchy - Glencoe Mountain (17km)
os cinco primeiros quilômetros até Inverornan foram, mesmo com o chuvisco, muito bonitos. a névoa deixa a vista do Mam Carreigh ainda mais mágica e o chocolate quente com chantilly e little marshmallows do pub do hotel säo de aquecer o coraçäo.
mas saímos do shire rumo a mordor, meus amigos. e o dia que começou com um chuvisco e continuou com chuva,  terminou com uma tempestade. de Inverornan até Glencoe Mountain a trilha passa pelo Rannoch Moor, uma regiäo erma e pantanosa sem nenhum ponto de abrigo: a parte mais hardcore do West Highland Way. nem preciso dizer que foi o pior dia da minha vida, que eu só quis deitar e morrer, e que eu me amaldiçoei apenas 1.245.251 vezes por ter tido essa idéia bocó de fazer trilha nessa porra de ilha. também näo preciso dizer que depois de uma choradinha e uma cerveja no primeiro acampamento que eu vi pela frente tiraram sauron do meu coraçäo.
mas mesmo sem as trevas, a noite voi pesada. a idéia inicial da etapa era que ela terminasse às margens do rio Etive, em Kingshouse, mas com a exaustäo do dia, encurtamos a etapa em 2km e ficamos no Glencoe Mountain Campsite. o lugar é no inverno uma estaçäo de sky, e a área de acampamento é meio que uma gambiarra pro veräo. o que acontece é que ventos extremanente fortes descem a montanha e atingem na mosca a área-gambiarra-desprotegida de camping. e isso é o normal. o azar é quando tem uma tempestade descendo a montanha. e o resultado foram muitas barracas quebradas, outras voando, e pras que ficaram (como a minha amada-linda-super-power) uma noite insone devido ao barulho do vento e ao medo de voar também. (sobre o saco de dormir molhado eu näo vou nem falar que é pra eu num querer morrer de novo).


do alto do Devil's Staircase, entre Kingshouse e Kinlochleven

Glencoe Moutain - Kinlochleven  (16km)
mas enfim... depois do dia em mordor e da noite de horrores eu só queria pegar um aviäo e voltar pro meu edredom quentinho. mas o que tinha praquele dia era pegar um ônibus até Kinlochleven. näo tinha ônibus, mas tinha um escocês fofíssimo, que saiu da rota dele pra nos dar uma carona. por sinal pausa pra falar da fofurice que säo os escocêses: ô povo maravilhoso. super simpáticos e prestativos, vontade de abraçar todos. pegamos carona pela A82, a estrada que corta as highlands. e olha, a preguiça as vezes compensa: uma das estradas mais bonitas que já vi na vida. montamos a barraca em Kinlochleven e tiramos mais um day off.
no outro dia, com a cabeça mais arejada e sem a mochila nas costas pegamos carona de volta a Glencoe Mountain - pegar carona é vida na escócia já que as ligaçöes e horários de ônibus/trens säo terríveis e os preços absurdos. de lá andamos pelo West Highland Way até Kinlochleven. esse era o trecho que eu tava mais animada pra fazer, ja que é passa pelo ponto mais alto do caminho: the devil's staircase. reza a lenda que lá de cima a vista é incrível, e com um dia bom dá pra ver até o ben nevis, a montanha mais alta da grä-bretanha. maaaaaas, como era de se esperar, tinha uma nuvem de chuva lá em cima, com vista para mais nuvens de chuva. e acompanhados por mais nuvens de chuva completamos a etapa monhanhosa.


Ruínas do Farm Tigh-na-sleubhaich, entre Kinlochleven e Lochan da Bhra

Kinlochleven - Ben Nevis  (20km)
vamos entäo falar algumas verdades: a) a escócia é mesmo muito linda. b) mas num tem beleza que amenize a frustraçäo de dias de pés (e mochilas) molhados, dores musculares e frio. e depois de muito pesar essas verdades quase desistimos da (pen)última etapa. mas achamos um meio termo: mandamos as mochilas de carro até o acampamento, e fomos a pé terminar logo sáporra! sinceramente: näo achei que valeu a pena. a oitava etapa é mais um desses trechos que cruza as montanhas onde a vista deveria ser o ponto alto do passeio. e quando o que deveria ser a vista pro Ben Nevis, o pico mais alto do país, vira a vista pra uma nuvem de chuva, bem... dá pra imaginar o entusiasmo.
enfim, cheguei ao camping nos pés da montanha encharcada dos pés a cabeça, morrendo de frio, doida pra pegar minha mochila e tomar um banho quentinho e... fuén fuén fuén: tive que esperar duas horas pelo serviço de entrega da bagagem. mas polyannizando a coisa: pelo menos foram duas horas no pub.


Ben Nevis visto do Glen Nevis Campsite

Ben Nevis - Fort William (5km)
a última etapa nem conta mesmo como etapa. foi só uma caminhada do acampamento até o obelisco que marca o fim do West Highland Way, no centro de Fort William. e fez um dia de sol lindo que a gente aproveitou pra passear pela cidadezinha, botar os pezinhos no rio e contemplar o Ben Nevis com um raríssimo céu azul de fundo.

fim do west Highland Way, Fort William

desbravar a natureza é desbravar nossos próprios limites. é sempre uma experiência muito intensa. e apesar dos trancos e barrancos é muito recompensador ver toda a beleza que só uma trilha assim te deixa ver. sem falar no orgulho que dá de saber do que a gente é capaz.

p.s.: mais da viagem no flickr.

02 agosto, 2016

west highland way, escócia - coming soon


 foram duas semanas de trilha e barraca na escócia.

as roupas já secaram, as bolhas dos pés já murcharam, as dores no corpo já sararam.
tô cheia de idéias, causos pra contar, e paisagens pra mostrar.
mas ainda näo deu tempo de arejar a cabeça, organizar os dias, e arrumar as fotos.

entäo deixo as coisas aqui em stand by e volto já.