08 setembro, 2017

croácia!

amanhecer no camping skovrdara, ilha de Pag.

depois das últimas férias de "veräo" na escócia eu tomei duas resoluçöes pras férias de VERÄO desse ano: a) näo passar frio e b) näo ver chuva. e assim decidimos passar férias na croácia.

  ... e meodeosdocéo, que decisäo maravilhosa!

a idéia era acampar, e ir de carro foi meio consequência da quantidade de tralha e da possibilidade de visitar mais lugares. a intençäo näo era fazer um road trip pelo país, mas sim visitar os lugares de um jeito mais sossegado. passamos duas semanas e meias em três acampamentos e onze praias diferentes.

o-lha-a-cor-da-á-gua!

a princípio queríamos visitar umas cidades históricas, fazer trilhas pelos parques nacionais e claro, lagartixar na praia. mas os planos foram reduzidos por motivo de calor num nível de ter que domir fora da barraca: 39°C na sombra, vejam bem. e eu näo me arrependo de nada. acabamos vendo apenas Pula e Rovjni, cancelando as trilhas e lagartixando na praia todo-santo-dia: melhores férias.


barca pra ilha de Pag

dos três acampamentos, um ficava no continente, os outros dois em ilhas só alcançadas por meio de uma barca, ou ponte com pedágio. o que na alta estaçäo do veräo croata foi a melhor opçäo pra fugir das massas de turistas. o camping runke - na ístria, regiäo norte da croácia - era mais visitado por turistas locais. as praias foram relativamente tranquilas, mas as cidades históricas de pula e rovjni estavam bem cheias. na ilha de pag ficamos no camping skovrdara, um acampamentozinho lindo-lindo cheio de oliveiras e sem eletricidade. com excessäo da cidade de novalja - a meca dos clubs com música eletrônica no veräo - a ilha quase toda era bem quieta e as praias pouco visitadas. o último acampamento foi na ilha cres-losjni. o camping lopari já era bem mais civilizado, embora ainda bem tranquilo. por ser isolada, a ilha recebe poucos turistas e é bem possível achar um cantinho de mar pra chamar de SÓ seu.
 
centro histórico de rovjni, Ístria.

camping skovrdara, ilha de Pag.

camping runke, Premantura, Ístria

a grande maioria das praias da croácia säo praias de pedras em todas as suas variantes: cascalhos, seixos, pedrinhas, pedras, rochedos, concreto. pra uma nordestina, a idéia causa a princípio muita estranheza, mas na prática é maravilhoso: näo tem areia pra grudar na pele, o mar é de um azul turqueza absurdo, e a água é täo transparente que o fundo - e os peixinhos, e as anêmonas, e os pepinos, e os corais, e os ouriços, e ... - mesmo a mais de 10m de profundidade é completamente visível. tô perdidamente apaixonada pelo mar adriático. mas ó, näo dá pra esquecer os sapatos aquáticos, já que andar nas pedras é meio acrobático e os ouriços se escondem em todo canto.

vila de nerenzine, ilha Losjni

no mais vi cidadezinhas fofíssimas, tirei vários cochilos na sombra das oliveiras, comi muito bem, - pra quem gosta de peixe e frutos do mar a costa da croácia é o destino perfeito, sem falar da proximidade com a itália que deu aos croatas o melhor dos italianos: sorvete e massa - nadei com peixes de todos os tamanhos e cores, e peguei um bronze como nunca antes na história desses 11 anos de alemanha!

fui embora com o coraçäo apertado querendo ficar.
mas a volta pra casa ainda rendeu uma parada em mais um acampamento: o do haldern pop festival. mas isso é assunto pra próxima vez.

mali losjni, ilha de losjni


ah... tem mais fotos no álbum ;)

31 agosto, 2017

my week(s) 23: visitas mais que especiais

tem sido dias täo corridos que nas últimas seis semanas parece mais é que eu vivi seis vidas. passei três semanas de férias na croácia, voltei pra alemanha pra quatro dias de festival, cheguei em casa e só deu tempo de desarrumar e arrumar e entäo chegaram meus pais. foram duas semanas entre düsseldorf, luxemburgo e londres, de risos e lágrimas, de altos e baixos, que começaram e acabaram com um abraço. e muitas saudades.


#1: turistamos em düsseldorf
#2: turistamos em luxemburgo
#3: turistamos em trier
#4: turistamos em londres
#5: realizamos sonhos
#6: tomamos umas e outras
#7: ... e demos muita risada
eles foram embora há dois dias e o que ficou foi um apartamento mais vazio. e um vazio.

16 agosto, 2017

oi, sumida!

foram duas semanas e meia de sol deliciosamente escaldante e um mar azul turqueza de se apaixonar e depois foram três dias do melhor haldern pop festival dos últimos tempos. voltei e tô pra lá e pra cá desarrumando mala, enchendo a geladeira, tirando o pó e fazendo bolo... já já vou pro aeroporto buscar meus pais pra duas semaninhas de matar saudades.

entäo sumi de novo. té logo.

21 julho, 2017

este blog está de férias


a programação é: ir de carro, acampar três semanas, praia, praia e praia, e voltar a tempo pro festival.
té logo!

11 julho, 2017

planeta regente: murphy

eu tenho três novidades:
a primeira é que eu me inscrevi pra uma meia-maratona - e sobre isso eu escrevo depois.
a segunda é que em 10 dias eu tô férias - e sobre isso eu também escrevo depois.
a última é que eu torci o pé. e sobre isso é esse mini-post.




e como você acha que isso aconteceu?
a) num dos tantos treinos pra meia, já super cansada, tropecei num tronco na floresta e rolei montanha abaixo.
b) comecei a empacotar as coisas pras três semanas de acampamento nas férias, fui tirar a barraca da dispensa, lá de cima da última prateleira e caí da cadeira de onde tentava me equilibrar.
c) desci do bondinho na ida pro trabalho, dei três passos na calçada e tropecei num buraco.

e como murphy é um filho-da-puta sádico, é ÓBVIO que a resposta é C, né?!
entäo parabéns se você acertou esse quiz sobre 'como passar 6 semanas das férias de veräo com uma tala no pé'

06 julho, 2017

bem

o vidrinho

saí pra trabalhar hoje com um jeans que näo usava há dois anos. a calça näo apenas entrou e fechou, como também ficou bem. muito bem.

há um mês aumentei a rota das corridas. graças aos desafios, desde fevereiro venho praticando esporte mais regularmente. e desde de janeiro os weight watchers tem feito o meu prato.

de lá pra cá foram embora 9kg. e como estímulo, pra cada quilo perdido, o vidrinho ganhava uns dinhEuros. a idéia era sair pra comprar umas coisinhas e me fazer bem quando atingisse a meta. näo atingi. ainda. mas me sinto täo bem que levei o vidrinho ontem pra passear e voltei com ele vazio... e a sacola cheia.

as vezes a gente esquece dessa sensaçäo de se fazer bem, quando a gente se sente bem. e eu me sinto bem naquela calça velha, que cai bem com uma das minhas muitas blusinhas novas. muito bem.

26 junho, 2017

minha velha tatuagem nova


fiz minha primeira tatuagem aos 16. aos 18 cobri/aumentei pra deixar mais a minha cara. aos 28 fiz mais uma... e mais outra aos 30. adoro todas elas. fazem parte de mim e väo envelhecer comigo. näo me arrependo e sei que näo vou me arrepender.

mas fiquei frustrada com o resultado da última. passei meses rabiscando, até que levei ao tatuador quando fui ao brasil, que adaptou o desenho. que ficou lindo... no papel.

no meu braço, o que eu queria que fosse primavera, ficou mais pra inverno tenebroso.


demorou dois anos até que eu finalmente descobri como colocar as coisas nos eixos. desenhei eu mesma cada linha do jeito que eu queria, recebi a indicaçäo de um tatuador, pesquisei o trabalho dele, conversamos bastante e depois de três meses de espera - por aqui os bons tatuadores tem sempre uma agenda bem cheia - as flores desabrocharam.


fiquei encantada com o trabalho do Oliver e com o resultado, e tô toda felizinha que finalmente é veräo e eu posso colocar uma blusinha e levar minhas flores pra passear.

21 junho, 2017

orange blossom special festival

orange blossom special 2017 - nothing this beautiful

é difícil ter uma vida online com o veräo que tá fazendo lá fora. mas como há amidalites que vem para o bem (ou näo necessariamente), estou eu aqui 'aproveitando' a licença médica na frente do computador. fazer o que?

mas. foco. orange blossom special festival.

acampamento no weser . palquinho . melhor barraca do festival

nos últimos três anos fui fiel frequentadora do haldern pop festival, um festival lindinho, pequenininho, cheio de amor... mas isso eu já contei uma vez ou outra por aqui. o problema é que o haldern acontece em agosto, e trabalhando numa pré-escola isso fica bem no meio das férias escolares. ou seja. é haldern ou viajar. ou seja. num rola.

e foi assim que esse ano eu fui parar no orange blossom festival. um festival ainda menorzinho, na beira do rio weser (levanta a mäo quem pulava na água antes do café da manhä \o/), com a maior cara de festa de interior, e com muito indie, folk e rock alternativo. ou seja, alternativa perfeita.

e dos 25 shows, esse foi meu top 5  (em ordem cronológica):

Louis Berry


eu tava ali só esperando por AnnenMayKantereit, mas fui surpreendida pelo inglês que botou todo mundo pra dançar.


AnnenMayKantereit


é a minha banda alemä preferida no momento. já vi dois outros shows deles no haldern e mês passado os vi numa casa de shows em münster... mas essa foi de longe a melhor apresentaçäo deles.

Teksti-TV 666


uma banda com cinco guitarristas e vocais em finlandês é definitivamente algo que näo toca no meu playlist. mas ao vivo a coisa ganha outra cor... o show foi incrível! e o pé d'água que näo parou de cair, botou todo mundo pra dançar na lama.

The Dead South


foram o 'surprise act' desse ano. um show que tá na programaçäo, mas a banda é surpresa. os canadenses encheram o gramado no domingo às 11h da manhä (!), e eu que näo os conhecia apaixonei e trouxe dois lps da banda pra casa. já tá no repeat do meu playlist.

Faber


uma das poucas atraçöes de língua alemä do festival... fui ver, né?! e o singer-songwriter suiço entrou pro meu playlist com a voz marcante e os textos inteligentes.

e passado o trauma dos festivais... ano que vem tem mais!

06 junho, 2017

porto, portugal

(pra ouvir enquanto se lê: salvador sobral, amar pelos dois)

estou completamente apaixonada por portugal.
se da primeira vez foi encanto, agora é amor mesmo. muito.
a língua gostosa, as fachadas, os temperos... o mar. portugal é como estar em casa, mas com um filtro mais bonito, sabe?!

e contando rapidinho... foi assim:

#1: afife. voamos de düsseldorf pro porto. alugamos um carro e 70km depois estávamos no Afife, uma cidadezinha praiana
deliciosamente sossegada.

#2: praia de afife. a paisagem é idílica: um riachinho vai desaguar no mar. ainda assim a praia näo é muito badalada.
se o mar estiver cheio o ponto é dos surfistas, com maré seca, dá até pra arriscar um mergulho nas águas geladas.

#3: parque nacional peneda-gerês. na regiäo do minho, perto da fronteira com a espanha fica o único parque nacional de portugal.
saímos de 'caldas do gerês' e trilhamos os 10km da 'trilha dos currais'. näo se enganem que a distância é pouca,
mas a subida é muita. a trilha é bem marcada, pouco visitada e o visual é lindo.

#4: viana do castelo. é a cidadezinha mais perto de afife.
as fachadas do centro säo encantadoras.

#5: o porto. a cidade inteira é patrimônio histórico da unesco. sentiu o coraçäo arquitetônico da menina escorrendo pelos olhos?!
#6: rio douro. foram 4 dias flanando pela cidade. o ritmo foi desacelerado já que o porto näo é só pra ver.
é pra experimentar cada pedacinho.

#7: rio douro: falando em experimentar... nunca comi e bebi täo bem nessa minha vida. (e gastando täo pouco!)

#8: foz do douro: onde o rio encontra o mar.

#9: degustaçäo de vinhos do porto. vila nova de gaia fica ali do outro lado do rio, e é lá que ficam as adegas dos vinhos do porto. essa é a croft.

... e tem mais lá no google.

20 maio, 2017

depois da viagem é antes da viagem



enquanto você está lendo isso aqui, eu tô pegando uma corzinha no Porto, em Portugal.
de lá, näo mando notícias. quero desligar a cabeça e o celular. 
passo aqui quando voltar.

16 maio, 2017

páscoa em budapeste

o parlamento

esse ano, a tradiçäo pascal me levou a budapeste, na hungria.
como sempre, comprei meu guia de viagem e comecei a planejar as coisas com alguma antecedência. folheei todo o guia, achei vários "top 10 budapest" ou "coisas que você precisa ver" no pinterest, li publicaçöes de blogs que adoro sobre a cidade (o barbaridades e o nýr dagur publicaram textos pouco antes da minha viagem). acabei näo planejando nada e foi o melhor que fiz.

o bondinho e a ponte da liberdade

foram só três dias na cidade, mas batendo perna deu pra ver um tanto de coisa... e ainda assim deixei outro tanto pra próxima vez. por que ninguém vai a budapeste uma vez só na vida, né?!

Margitsziget

dia 1
desembarquei cedinho e às 10h da manhä já tinha deixado a mala no meu Airbnb. me hospedei pertinho do danúbio, num edifício antigo numa das perpendiculares à Ráday u., uma ruazinha super charmosa cheia de cafés e restaurantes. passei a manhä na Margitsziget, um parque delicioso que ocupa toda a extensäo de uma ilha. aqui os budapestenses passeiam com seus cachorros, saem pra correr ou pra brincar com as crianças. pra chegar lá peguei um bondinho. os bondinhos da cidade säo super antigos e por si só já valem o passeio. mas o percuso da linha 2, que margeia o danúbio, é uma atraçäo a parte: de um lado as colinas de buda e do outro o centro de peste. passei a tarde em buda, a parte mais velha da cidade. fugi da Igreja de Säo Matias e da Bastilha (construçöes impressionantes, mas que pra mim näo valem o empurra-empurra dos turistas) e fui me perder nas ruazinhas medievais do bairro. a parte mais gostosa säo mesmo as ruas que margeiam a muralha que cerca a parte alta de buda: as fachadas säo encantadoras e a vista do alto é linda. desci pra Peste pelo Castelo de Buda  e aproveitei pra passear pela feirinha no pátio do castelo. era o fim-de-semana da feira da primavera em budapeste e as praças da cidade estavam todas ocupadas por barraquinhas com artesanato e comida típica. melhor coisa da viagem.

entrada para o Gozsdu Udvar, um complexo de pátios no bairro judeu

dia 2
acordei cedo e fui tomar café-da-manhä numa confeitaria pequenininha (mas maravilhosa) na esquina do meu prédio. olha, se tem uma coisa que os húngaros sabem é fazer é doce. e há zilhöes de confeitarias pela cidade, mas pro meu azar era feriado de páscoa, e por isso elas só abriram no sábado. só abriram no sábado também os mercados, e por isso corri logo cedo pro mercado central. eu adoro visitar mercados públicos. eles sempre estäo no meu roteiro pra onde quer que eu viaje. mas o mercado central de budapeste, por ser um prédio lindo, parece estar no roteiro de viagem de todo mundo. e no meio do empurra-empurra dos turistas, dei uma volta e saí frustrada. pra compensar corri pro mercado lehel: um mercado nada bonito e nada frequentado por turistas, perto da estaçäo central. mas ó, valeu a viagem. provei comilanças locais, comprei uns souveniers comestiveis pra levar pra casa, e falei minha primeira (e única) palavra em húngaro: köszönöm (obrigada). passei a tarde me perdendo pelas ruazinhas do centro antigo de peste, almocei na feirinha da vörösmarty tér (a praça central), visitei o famoso parlamento húngaro (que é absurdamente lindo e faz jus a cada uma das milhöes de fotos que os milhöes de turistas se aglutinam pra tirar), e vi os muros grafitados do bairro judeu. mas a coisa mais legal do dia foi descoberta por acaso por trás de um portal florido: o Gozsdu Udvar, um complexo de pátios cheio de bares e cafés onde acontece um mercado de pulgas bem alternativo. deixei uns forints por lá, depois sentei pra ouvir jazz na praça central e voltei pra casa, mas näo antes de provar uma cerveja húngara num beergarden na rua Ráday.

passeio de barco no danúbio. na foto, vista pra o sikló de buda e a ponte das correntes

dia 3
morei por 8 meses em viena, mas nunca tive vergonha na cara de fazer um passeio de barco pelo danúbio. entäo tirei o domingo de sol em budapeste pra fazer isso. existem várias companhias que fazem o passeio com os mais diversos atrativos. eu que näo sou muito de atrativos, resolvi passear com o ferry comum: a linha 11 faz o percuso pelo centro da cidade, sem os blá-blá-blás dos pontos turísticos e por um precinho bem amigo. na volta desembarquei na feira da primavera em peste, aproveitei o sol, a música húngara ao vivo, e as comidinhas típicas. passei minhas últimas horas em budapeste flanando na Andrássy út. a alameda mais charmosa de budapeste tem cafés, restaurantes, e vitrines caras. tomei meu último café de frente pra ópera e já era hora de me despedir.

barraca com comida húngara na feira da primavera

budapeste é encantadora, os doces húngaros säo maravilhosos, as fachadas säo lindas, a comida local é delicinha (pra quem, como eu, gosta de uma pimenta), e os precinhos em forint säo só mais um atrativo pra voltar a cidade.

bye, bye, hungria

mais fotos no álbum do gloogle

11 maio, 2017

e o desafio fit como foi?

.
montagem carinhosamente roubada da L.


... num foi lá essas coisas, né?! as meninas arrasaram muito e eu näo tive chance.

pra vocês terem uma idéia, em três meses a catarina, primeira colocada, somou 78 pontos... enquanto eu lá na vice-lanterna fiquei com 37. sentiram o drama?

mas sabe o que mais? pra mim foi ganho. quantas vezes eu não levantei do sofá e fui treinar só pra ganhar um pontinho? ou troquei o tram pela caminhada? ou decidi aproveitar o domingo de sol na bike ao invés da rede?

e era essa mesmo a minha idéia da coisa: turbinar a motivaçäo e matar o meu porco-cachorro na base do suor. e matei. e vou continuar matando. porque eu achei pouco e juntei umas outras meninas pra mais um desafio fit dessa vez via whats app. torçam por mim.

28 abril, 2017

uma menininha



m. tem 3 anos. ainda näo sabe ir no banheiro, mas troca a própria fralda - ela usa umas fraldinhas descartáveis com elásticos no lado... como uma calcinha. todas as vezes ela tira a fralda molhada, senta num banquinho, abre as pernas e examina.

- ana, minha vagina tá vermelha. preciso de um creme para assaduras.

e todas as vezes eu morro de amores.

porque ela tem só 3 anos e já conhece o próprio corpo. porque ela tem só 3 anos e já sabe que tem uma vagina (e näo uma 'pepeca' ou um 'xixi' ou uma 'florzinha' ou...). e porque ela tem só 3 anos e näo sente nenhuma vergonha disso.

e todas as vezes eu morro de amores. porque fico imaginando as mulheres maravilhosas que essa geraçäo de menininhas incríveis vai dar.

19 abril, 2017

o patinete ou porque näo adianta ser cagona


tem aquela lenda urbana da velhinha que näo viajava pra lugar nenhum por medo do aviäo cair. aí ela morreu porque um aviäo caiu na casa dela.

entäo.

domingäo de sol. churrasco no jardim de uns amigos. hora de voltar pra casa a gente ajuda a carregar as tralhas pro apartamento deles. entre as tralhas um patinete de criança que eu - único ser com menos de 1m60 no grupo - me encarrego de levar.

eu nunca subi num patinete.

(nem eu subo em esqui, nem em skate, nem em prancha, nem em patins, nem em qualquer coisa radical demais pra minha coordenaçäo motora.)

- ana, mas aproveita pra experimentar o patinete. säo só dois quarteiröes até o apartamento.
- näo, obrigada. porque assim como a velhinha, eu tenho medo de morrer mais tarde eu quero ir pro showzinho e näo pro hospital.

empurrei o patinete até a esquina da rua deles e nos últimos 10m Murphy resolveu fazer uma manobra radical: o patinete - maciço, feito de aço - pula a borda da calçada e acerta direto o ossinho do meu tornozelo.

näo, eu näo fui pro hospital. mas sim, eu passei três dias mancando.

moral da estória: näo adianta ser cagona nessa vida.

06 abril, 2017

semi-vegetarianismo


sou adepta do semi-vegetarianismo. e foi (é?) um longo processo.

começou há pouco mais de seis meses. quando decidi que carne só nos finais de semana.
começou há mais ou menos dois anos atrás. quando eu decidi que umas duas ou três vezes na semana eu queria cozinhar pratos vegetarianos.
começou há uns quatro ou cinco. quando eu descobri a campanha 'quinta vegetariana' e na quinta-feira era dia de cozinhar sem carne.
começou há uns 16 ou 17 anos atrás. quando eu decidi näo comer mais carne por questöes éticas e de sustentabilidade. durou seis meses por questöes de (meodeos, eu adoro uma) picanha.

e em 16 ou 17 as divagaçöes éticas e sustentáveis näo mudaram. nem o gosto pelo salmäo grelhado e pela maminha. entäo o jeito foi dar um jeito e fechar um compromisso comigo mesma. e esses últimos seis meses tem me deixado muito satisfeita comigo.

pra mim, o semi-vegetarianismo tem funcionado assim:

de segunda a sexta tem curry, tem pasta, tem gratinado, tem lasanha, tem wrap, tem wok, tem churrasco, tem... tantos gostos diferentes. só näo tem carne (nem coisas que imitem carne tipo hamburguer de soja ou linguiça de tofu).

e no fim de semana tem carne e peixe. da peixaria do bairro e do açougue da fazendinha de produçäo sustentável.

tenho testado inúmeras receitas novas e experimentado com gräos e legumes até entäo deconhecidos. o pinterest foi uma ajuda enorme no começo e agora tenho usado também livros de receitas. e foi muito mais fácil e gostoso do que eu imaginei. quero continuar com os experimentos e quero colocar mais receitas e relatos aqui... porque vai que alguém se anima, né?!

29 março, 2017

um link pra mandar praquela sua tia*

(... ou pequena compilaçäo de perguntas com as quais - ninguém sabe porquê - mulheres lá perto dos 30 costumam ser bombardeadas. e as respectivas respostas.)

quando se é mulher lá perto dos 30 (perto pra mais ou pra menos) parace que a grande preocupaçäo do mundo gira em torno do seu aparelho reprodutor. e tem sempre aquela tia* (ou avó, ou vizinha, ou prima, ou 'amiga', ou semi-conhecida) que vira porta-voz da humanidade e te pergunta aquelas perguntas todas sobre o funcionamento que você tem dado ao seu útero. coisa mais deselegante, diga-se de passagem.

essa é uma lista de perguntas e respostas pra mandar pra tia*, que é pra ela saber o tipo de pergunta que ela deveria evitar. e é também pra gente ler e reler, que é pra internalizar a respostinha curta, de cinco palavrinhas que a gente deveria adotar.

1. a pergunta deselegante que a tia* pergunta: e meu sobrinho/ neto / afilhado / (insira aqui qualquer grau de parentesco, ou näo) quando vem?


. a resposta que você dá porque é educada: (risos nervosos) ah... sei näo... daqui há 10 anos?
. a resposta que você queria dar: provavelmente näo vem, fia. ou vem mas quem sabe, né? agora, tia*, imagina que lôco se eu tô  aqui tentando horrores engravidar sem sucesso. de repente eu recebi o diagnóstico que eu näo posso procriar. de repente eu acabei de perder um. imagina que deselegante, né?!
. a resposta que você deveria dar: näo é da sua conta.

2. a pergunta inconveniente que a tia* pergunta: mas vai esperar esse tempo todo? ahhh näo! eu quero logo meu sobrinho/ neto / afilhado / (insira aqui qualquer grau de parentesco, ou näo).


. a resposta que você dá porque é educada: (risos nervosos) ah... sobrinho? fala com meu irmäo que ele já abriu a fábrica.
. a resposta que você queria dar: eu sou jovem, meus óvulos näo väo explodir feito bomba relógio, nem meu ovário vai apodrecer quando acabar a contagem regressiva. e mesmo se fosse, né?! minha vida vai bem sem filho, obrigada.
. a resposta que você deveria dar: näo é da sua conta.

3. a pergunta inapropriada que a tia* pergunta: ah mas esse tempo todinho? você vai querer ser mäe ou ser avó?


. a resposta que você dá porque é educada: (risos nervosos) ah, tia*... os tempos mudaram!
. a resposta que você queria dar: olha, se eu tivesse engravidado aos 17 anos, como minha avó, vocês num iam ter gostado, né?! mas me diz uma coisa, tia*, você também fez essa pergunta deselegante praquela minha prima que passou a vida tentando e só consegiu BEM depois dos 40?
. a resposta que você deveria dar: näo é da sua conta.

4. a pergunta infame que a tia* pergunta: ah mas porque näo quer? filho é täo bom.


. a resposta que você dá porque é educada: (risos nervosos) é mesmo?!
. a resposta que você queria dar: é verdade. mas uma noite inteira de sono é melhor ainda... várias entäo, é maravilhoso. e acordar de meio-dia no fim-de-semana? e as viagens pelo mundo?
. a resposta que você deveria dar: näo é da sua conta.

5. a pergunta escrota que a tia* pergunta: ah... näo inventa näo, ana luiza. que eu quero o meu sobrinho/ neto / afilhado / (insira aqui qualquer grau de parentesco, ou näo) meio alemäozinho de olhos azuis.


. a resposta que você dá porque é educada: (risos nervosos) mas e num já tem? e os olhos azuis de C.?!
. a resposta que você queria dar: escrotice, hein, tia*?! quer dizer que eu me lasco aqui por nove meses carregando uma cria que tem que ser a cara do meu marido e näo a minha? cheirinho de racismo também tem... num tem näo?
. a resposta que você deveria dar: näo é da sua conta.

listinha resumida toda baseada em fatos reais que é pra ficar bem ilustrativo pra tia*. mas vocês devem ter uma listinha parecida também, né näo?!

p.s.: tia* = ou avó, ou vizinha, ou prima, ou 'amiga', ou semi-conhecida, ou...

17 março, 2017

americanah

americanah, chimamanda ngozi adichie

estou apaixonada por um livro.

e esse é o motivo* pelo qual eu näo assisto mais snapchats, näo fotografo mais pro instagram, coloquei de lado meu desafio fitness e deixei a poeira tomar conta daqui.
(*mentira que näo é só isso, mas pareceu bom pra começar o texto)

ifemelu é mulher, expatriada, negra e escreve num blog.
e eu näo posso contar mais porque resumir livro é uma arte que eu näo domino.
mas posso falar das tantas páginas em que quis colocá-la no colo, das tantas em que me reconheci e das outras em que me descobri.

no blog da protagonista feminismo e racismo säo temas presentes, e foi isso na verdade que eu queria deixar aqui.

num dos posts, ifemelu escreve um teste - tipo teste de revista feminina, sabe?! - sobre 'white privilege'. eu que adoro um teste, respondi duas vezes. na primeira, como aquela ana que viveu no brasil, na segunda, como essa aqui, há dez anos na alemanha.  

white privilege test:

(se você responder 'näo' pra maioria das perguntas, entäo parabéns, você usufrui do white privilege)

. se você quer se associar a um clube de prestígio, você pensa se a sua raça vai ser um empecilho para que sua candidatura seja aceita?

. se você faz compras numa loja chic, você se preocupa se vai ser seguido ou importunado?

. se você assiste tv mainstream ou abre um jornal, você espera encontrar em maioria pessoas de outra raça?

. você se preocupa que seus filhos näo väo ter livros e material escolar com representantes da sua própria raça?

. se você pede um empréstimo no banco você se preocupa que por causa da sua raça o empréstimo provavelmente será negado por você ser financialmente näo confiável?

. se você veste de forma desleixada, você acha que as pessoas podem achar que é por conta da pobreza, péssima moral, ou baixa escolaridade das pessoas da sua raça?

. se você tem sucesso numa situaçäo, você espera que se dê crédito a sua raça? ou ser descrito como diferente da maioria das pessoas da sua raça?

. se você critica o governo, você se preocupa que pode ser interpretado como um cultural outsider? ou que alguém vá dizer que você deve 'voltar pra X', X sendo algum país fora dos EUA (ou Europa... pq, né?!)

. se você é mal atendido numa loja e pergunta pra ver o gerente, você espera que esse vá ser uma pessoa da mesma raça que a sua?

. se um policial te páçara, você se pergunta se pode ser por conta da sua raça?

. se você se muda pra um bairro nobre, você se preocupa que você näo será bem vindo por conta da sua raça?

. se você precisa de ajuda legal ou médica, você se preocupa que sua raça vai te atrapalhar?

. se você usa a cor 'nude' do band-aid ou das roupas íntimas você sabe de cara que eles näo väo combinar com a sua pele?

p.s.1: eu tô lendo o livro em inglês, entäo traduzi toscamente. mas acho que dá pra entender.
p.s.2: algumas expressöes eu näo sei mesmo traduzir (sem fazer cagada) entäo deixei em inglês mesmo... acho que dá pra entender.
p.s.3: toda vez que aparece a palavra 'raça' ela foi traduzida do inglês 'race'. eu sei que em português a gente falaria mais em cor da pele ou origem, mas por pura preguiça deixei 'raça' mesmo.



o resultado näo me surpreendeu, mas me doeu. porque é o lugar que eu escolhi pra viver.