17 março, 2017

americanah

americanah, chimamanda ngozi adichie

estou apaixonada por um livro.

e esse é o motivo* pelo qual eu näo assisto mais snapchats, näo fotografo mais pro instagram, coloquei de lado meu desafio fitness e deixei a poeira tomar conta daqui.
(*mentira que näo é só isso, mas pareceu bom pra começar o texto)

ifemelu é mulher, expatriada, negra e escreve num blog.
e eu näo posso contar mais porque resumir livro é uma arte que eu näo domino.
mas posso falar das tantas páginas em que quis colocá-la no colo, das tantas em que me reconheci e das outras em que me descobri.

no blog da protagonista feminismo e racismo säo temas presentes, e foi isso na verdade que eu queria deixar aqui.

num dos posts, ifemelu escreve um teste - tipo teste de revista feminina, sabe?! - sobre 'white privilege'. eu que adoro um teste, respondi duas vezes. na primeira, como aquela ana que viveu no brasil, na segunda, como essa aqui, há dez anos na alemanha.  

white privilege test:

(se você responder 'näo' pra maioria das perguntas, entäo parabéns, você usufrui do white privilege)

. se você quer se associar a um clube de prestígio, você pensa se a sua raça vai ser um empecilho para que sua candidatura seja aceita?

. se você faz compras numa loja chic, você se preocupa se vai ser seguido ou importunado?

. se você assiste tv mainstream ou abre um jornal, você espera encontrar em maioria pessoas de outra raça?

. você se preocupa que seus filhos näo väo ter livros e material escolar com representantes da sua própria raça?

. se você pede um empréstimo no banco você se preocupa que por causa da sua raça o empréstimo provavelmente será negado por você ser financialmente näo confiável?

. se você veste de forma desleixada, você acha que as pessoas podem achar que é por conta da pobreza, péssima moral, ou baixa escolaridade das pessoas da sua raça?

. se você tem sucesso numa situaçäo, você espera que se dê crédito a sua raça? ou ser descrito como diferente da maioria das pessoas da sua raça?

. se você critica o governo, você se preocupa que pode ser interpretado como um cultural outsider? ou que alguém vá dizer que você deve 'voltar pra X', X sendo algum país fora dos EUA (ou Europa... pq, né?!)

. se você é mal atendido numa loja e pergunta pra ver o gerente, você espera que esse vá ser uma pessoa da mesma raça que a sua?

. se um policial te páçara, você se pergunta se pode ser por conta da sua raça?

. se você se muda pra um bairro nobre, você se preocupa que você näo será bem vindo por conta da sua raça?

. se você precisa de ajuda legal ou médica, você se preocupa que sua raça vai te atrapalhar?

. se você usa a cor 'nude' do band-aid ou das roupas íntimas você sabe de cara que eles näo väo combinar com a sua pele?

p.s.1: eu tô lendo o livro em inglês, entäo traduzi toscamente. mas acho que dá pra entender.
p.s.2: algumas expressöes eu näo sei mesmo traduzir (sem fazer cagada) entäo deixei em inglês mesmo... acho que dá pra entender.
p.s.3: toda vez que aparece a palavra 'raça' ela foi traduzida do inglês 'race'. eu sei que em português a gente falaria mais em cor da pele ou origem, mas por pura preguiça deixei 'raça' mesmo.



o resultado näo me surpreendeu, mas me doeu. porque é o lugar que eu escolhi pra viver.

4 comentários:

  1. Adicionando na lista de leitura. Eu bem tenho todos os white privileges, sempre tive. Aqui continuo tendo, porque de boca fechada passo bem como suíça. Me entristece ter esses privilégios, pois minha avó negra passou por tanta coisa nesse mundo, e por mais que eu "conheça", jamais sentirei as dores que ela sentiu, jamais passarei por situações que ela passou. E eu admiro quem tem a coragem, a força, de passar por tudo isso de cabeça erguida. Como ela passou a vida dela inteira, e como você passa na terra que escolheu pra viver. Be strong.

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    1. e olha que eu faço o tipo latina-de-pele-clara-podia-ser-italiana-podia-ser-francesa... e ainda assim näo dá pra responder mais "näo" do que sim.

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  2. Não conhecia mas parece promissor.

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    1. o livro é maravilhoso, acabei e tô me sentindo orfä.

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