17 janeiro, 2018

vida de - futura - professorinha: formação profissional dual


essa semana saiu uma matéria no el país sobre o sistema de formaçäo profissional dual na alemanha. li a matéria e me dei conta que faz seis meses que quero escrever esse texto.

há quase dois anos atrás decidi mudar o rumo profissional, há seis meses terminei meu ano de voluntariado e comecei um curso de formaçäo de educadores. o curso se inclui nesse sistema dual, o que significa - no meu caso - que meio expediente eu trabalho e meio expediente eu estudo. a parte teórica é extremamente ligada à prática: os professores visitam regularmente meu local de trabalho, onde eu sou submetida à provas práticas. na alemanha, além de educadores infantis, profissionais nas áreas de fisioterapia, enfermagem (não existe 'ana neri' na Alemanha), fonoaudiólogia, farmácia - entre outras - näo säo formados em universidades, e sim através do sistema dual. a grande vantagem é a possibilidade de já começar a vida profissional de cara no mercado do trabalho e ser remunerado. a grande desvantagem é que o negócio é puxado e a vida acaba virando uma correria.

o que eu mais gosto nessa história é sair da aula com a cabeça turbilhando e já no dia seguinte colocar em prática e ver como funciona o que aprendi. esse processo faz com que minha postura profissional cresça bem rápido e a sensaçäo que eu tenho - diferente do que acontecia na universidade - é de que eu REALMENTE tô aprendendo alguma coisa necessária pro dia-a-dia da minha profissäo.

o que eu menos gosto é que a parte teórica tá mais próxima de uma escola técnica do que de uma universidade. ou seja: ESCOLA. e se eu já me sentia velha e impaciente no tempo que ia pra escola, depois dos trinta eu preciso de muito zen-budismo pra näo passar o dia revirando os olhos.

"quantas linhas eu tenho que pular, professora?" (F., 22 anos)

no fim o saldo é positivo. mas eu tô doida que passe logo... o curso, näo meus dias na pré-escola. porque embora me deixem louca, 'minhas' crioncinhas também enchem meu coraçäo de amor.

6 comentários:

  1. Eu acho esse sistema alemão/suíço muito legal. É uma forma de efetivamente dar oportunidade a todos, de democratizar o mercado de trabalho, e eu não sei como é aí, mas aqui há pouquíssima diferença em prestígio se você fez universidade ou não. Alias, eu diria que não percebo a diferença, mas também não socializo muito com suíços...
    Agora essa parte da criançada (no caso, os adultos que são crianças ainda indo no curso hahaha) deve ser osso. Eu tenho zero saco. Num dos últimos cursos de alemão tinha uma menina da parte francesa aqui da Suíça que é desse esquema, tava com 17 anos e indo na Berufschule. E mano do céu, eu tinha que fazer um esforço imenso pra ter paciência com a menina hahaha.. boa sorte pra você! Não imagino eu sem assassinar alguém no longo prazo.

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    1. também acho que por aqui há pouquíssima diferença quanto ao prestígio. mas percebo os agrupamentos: os amigos do marido foram quase todos pra uni, no trabalho, o círculo das colegas é quase todo de ausbildung. claro que tem a ver com a escola que se frequentou antes, ou com o próprio curso que se escolheu. o perigo é de a longo prazo esses círculos sociais virarem círculos econômicos... mas aí é pano pra outra história

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  2. Que sistema interessante, Ana! Não é fácil mudar de carreira, começar do zero, mas pelo menos esse incentivo de fazer as coisas na prática dá um gás, né? Falta muito pra você acabar?

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    1. comecei quase que agora, bárbara... dois anos e meio pela frente :/

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  3. Eu não conhecia esse sistema e achei tão legal, Ana. Como você disse tem suas vantagens e desvantagens, mas acredito que realmente o saldo seja positivo.
    Boa sorte aí :)

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