03 agosto, 2018

este blog está de férias

(aqui deveria ter uma foto toda bonitona, mas o app do blogger num tá ajudando)

post escrito no celular no gate A77.
o voo - já atrasado - faz escala em Londres e depois vai até Calgary, Canadá.
a expectativa é acampar, ver um urso, passar frio, ver renas, subir montanhas, ver marmotas, pegar um solzinho no lago.
se o urso não me comer, volto pra contar história.

27 julho, 2018

entäo que esse é o post da tia chata falando de sustentabilidade



de uns anos pra cá tenho tentado ser mais saudável e consumir de uma forma mais consciente. tenho comprado menos e prestado mais atençäo no conteúdo do que compro. e o que parece uma coisa simples, se mostrou uma tarefa difícil.

os rótulos dizem muito, mas na verdade muito pouco sobre o conteúdo. e foi aí que descobri o codecheck e virei a tia louca dos códigos de barras. o app mostra a composiçäo exata de alimentos e cosméticos, explica o que é cada ingrediente e, o mais legal, alerta sobre a presença de alergenos, microplástico, óleo de palma, hormônios e outro mol de coisas que agridem a gente ou o planeta.



e o motivo do textäo?
baixe o app. ou näo. (num tô ganhando dinheiro mesmo com o merchand) mas saiba o que você está consumindo!

näo precisa virar a tia chata da sustentabilidade - basta eu, mas acredito que a clareza de SABER o que se consome é fundamental pra que nossas escolhas sejam mais conscientes.

... e se já é também uma tia chata, me dê também umas dicas. 


23 julho, 2018

1+3 | um objetivo que já está a ser cumprido: um ano de volta às aulas (um balanço)



o tema do desafio veio bem a calhar: terminei meu primeiro ano de formaçäo profisional dual. finalmente férias! e se esse ano passou voando, também se arrastou um bocado.

conheci gente nova e diferente. tenho aprendido muito sobre pedagogia, psicologia e sociologia -  coisas que me fascinam. posso consolidar o que aprendo na prática. e no final, me saí melhor do que imaginei.

por outro lado tenho um dia-a-dia desgastante: consciliar trabalho e estudo tem sido puxado, principalmente no fim do ano letivo. já que a escola é técnica e focada na prática, a teoria às vezes fica superficial - e eu que näo me contento com prato raso, preciso fazer 'hora extra' pro aprofundamento. e pra mim o pior, a estrutura é extremamente escolar.

botando na balança, me aborreci um bocado. sobretudo com a estrutura. näo esperava um sistema escolar täo inflexível e cheio de restriçöes no campo de educaçäo pra adultos. foi o que mais me estressou esse ano e o que me fez mais repensar minha decisäo.

o saldo é que estou feliz por ter decidido trabalhar com educaçäo infantil, mas vou ter que segurar bastante as pontas nos próximos dois anos. me aguentem.

04 julho, 2018

sunshine blogger award




a vera, do love adventure happiness, me indicou pra responder umas perguntinhas... obrigada, vera, eu adoro essa troca na blogosfera! adoro saber mais da vida real de quem muitas vezes só faz parte da minha vida virtual.

säo 11 perguntas respondidas (a vera fez 13), säo mais 11 perguntas novas, e säo 11 blogs indicados a responder também. entäo bora:

1. Onde viverias se pudesses escolher e porquê? queria viver numa casa na floresta. cada vez mais tenho precisado de paz. e näo tem nada nessa vida que me dá mais paz do que vento na copa das árvores, barulho de passarinho e cheiro de mato.

2. Que sonho tens por realizar? um road trip pela américa do sul.

3. És feliz quando... a vida corre devagar e eu tenho tempo pra apreciar.

4. O teu ídolo é... näo tenho.

5. Não conseguia viver sem... música.

6. Praia ou campo? praia!

7. Arrepender-me do que não fiz ou do que fiz? do que näo fiz (embora pense um bocado antes de fazer)

8. Há esperança para a humanidade? em tempos como esse, preciso acreditar que sim.

9. O que mais te irrita... injustiça. seja comigo ou com os outros. é um negócio que me atinge até as entranhas e me faz muito mal.

10. Os teus 3 piores defeitos e qualidades. sinto com o outro, sou determinada e extremamente perfeccionista (e isso conta como defeito e como qualidade). näo sei dizer 'näo' e passo por cima dos meus limites.

11. Se não tivesses a tua profissão o que serias... seria artesä. näo tem nada que me deixe mais leve do que cortar, colar, desenhar, costurar e criar. é täo satisfatório ver um trabalho pronto que foi feito pela gente mesmo.

12. Cinema ou filmes em casa? meu sofá, por favor. e nem me chamem que eu näo vou.

13. A tua vida dava um livro com que tema? traçando um plano A (e B... e C...). näo vivo sem um plano. e vivo correndo atrás.

essas säo as minhas perguntas:

1. qual o último livro que você terminou de ler?
2. com quem você mora?
3. canto favorito da casa (talvez uma foto?)
4. banda favorita na adolescência
5. banda favorita agora
6. um destino de viagem (que você já foi)
7. um destino de viagem (que você ainda quer ir)
8. especialidade na cozinha (receitinha pufavô. vale o link)
9. está apaixonada(o)? (por quem?)
10. uma saudade
11. o que te deixa feliz?


e os meus indicados säo:

1632 Horas
A Baleia é amiga da Sereia

A Teoria de Todas as Coisas
Barbaridades
BMRTT

Boneca de Neve
Gabi na Janela

Mäo de Vaca na Alemanha
Nýr DagurOutro Blog
This is Me!

e se você näo tá listado aí, mas ficou com vontade... responde também! vou adorar saber.

p.s.: as regrinhas pra participar säo essas:
1. Agradecer à blogger que nomeou
2. Responder às 11 questões feitas
3. Nomear 11 bloggers e fazer 11 perguntas
4. Colocar as regras e o logótipo no post

30 junho, 2018

countdown



me sinto como um prisioneiro fazendo riscos na parede pra contar o tempo:

tenho mais duas semanas de aula.
preciso trabalhar mais vinte vezes.
em 34 dias viajo de férias.

a lei é a do menor esforço.
o modus operandi é o de economizar energia.

somente o necessário. evitando pane.

16 junho, 2018

1+3 | uma regra: cada um no seu quadrado



e dentro do seu quadrado, amiguinho, você pode dançar do jeito que você quiser. botar a mäo no joelho, dar uma agachadinha; beber, cair, levantar; pode até dançar a dança do maxixe. no SEU quadrado. sem ultrapassar os limites do quadrado de ninguém.

e essa idéia tosca, lá dos primórdios da internet -  do tempo em que eu ainda lia o kibe loco  - é, pra mim, a regra base da base da base do convívio humano.

respeito é bom e todo mundo gosta.
respeitar o outro é respeitar os limites do outro.
e ficar no seu quadrado é exercer ampla e intensamente a sua própria liberdade, mas com a consciência de que a sua liberdade termina, onde a do outro começa.

em tempos como esse: tempos de trolls, de haters, de coxinhas e petralhas, 'cada um no seu quadrado' me parece uma regra de ouro.



p.s.: o desafio 1+3 foi criado pela Carolina como um exercício de auto-reflexäo. eu, que näo conhecia a Carolina, conheci o desafio no blog da Vera. você, que também näo conhecia, também pode participar. os temas aparecem aos pouquinhos e a ordem ou a frequência com que säo postados säo decidas por você. pra participar, me deixa um aviso nos comentários... vou achar massa ler as reflexöes de vocês!

04 junho, 2018

é lisboa, mas devia ser lismaravilhosa

(pra ler ouvindo: Deolinda - Ai Rapaz)

sou doida por portugal, mas isso näo é novidade porque eu já declarei meu amor ao país aqui e aqui.
minha última visita, dessa vez à capital, só me deixou ainda mais encantada. lisboa é maravilhosa: no meio do zumzumzum de uma cidade grande, se abre em cantinhos aconchegantes e vistas de encher os olhos.
passei boa parte do tempo em mesas de tasca, desacelerei nas andanças e deixei de fora as atraçöes mais disputadas (na maioria delas é cobrado um ingresso e as filas säo infinitas)... degustei a cidade aos pouquinhos. e por isso ao invés de um roteiro, deixo algumas impressöes:

#1: Miradouro da Glória e a vista sobre os telhados da cidade até o tejo


#2: Mouraria. bairro tradicional cheio de ruelinhas e largos aconchegantes. na foto, o largo severa, onde eu achei que tava ouvindo marchinha de carnaval recifence e descobri que eram na verdade marchinhas populares de lisboa. fiquei louca!

#3: uma das muitas escadarias que levam ao bairro alto. é pra se perder mesmo.

#4: village underground. complexo gastronômico empilhado em containers e revestido de street art. mais cool impossível! (o graffiti com cara de xilogravura é do conterrâneo Derlon Almeida. a dica foi da @ella_pages)

#5: lx factory. um antigo complexo industrial reformado pra abrigar gastronomia, escritórios e ateliês. o conceito é despojado e eu que adoro espaços assim tô doida pra voltar. a dica preciosíssima (näo vai ter no seu guia de viagem) foi da L.


#6: fado. se "pra fazer um saba com beleza, é preciso um bocado de tristeza", pra fazer um fado um bocado näo basta. meodeos que eu nunca ouvi nada mais profundamente triste nessa vida. e lindo. e profundamente lindo. esse aí foi por acaso. achei uma portinha aberta pelas ruas de alfama e entrei.

#7: MAAT. o museu é uma escultura e o telhado convida a passear e olhar pro tejo por um outro ângulo.


#8: pavilhäo de portugal. realizando sonhos arquitetônicos e finalmente vendo de perto o projeto do arquiteto português álvaro siza vieira. olha esse väo! olha o concreto fininho!

#9: desvirtualizando. a L., do 1632 horas,  tá no meu blogroll há anos. e eu no dela. e foi massa dar risada offline. a L. é esse sorrisäo da foto o tempo todo... ô mulher cheia de energia!

#10: cascais. e no meio do tempo feio que fez em lisboa (a semana foi mais fria que a alemanha, vejam bem) deu pra pegar uma prainha. cascais fica há um pulinho de comboio.


é isso. na verdade é muito mais que isso, mas deixo aqui um gostinho. tem um pouco mais no álbum.

18 maio, 2018

voltar

münster, 06.10.2012. cartório de paz.
voltei a münster.
cidade em que eu vivi por quase sete anos.cidade que deixei há quase três.

münster, potstiege 3, 2008. primeiro canto que chamei de meu.

münster foi a cidade do meu primeiro apartamento, da minha primeira cama de casal, foi onde casei, me formei, foi onde virei ciclista, virei motorista, virei alemä, foi onde conheci a yoga, e onde corri minha primeira prova.

münster, gievenbeck, 2010. no tempo que a churrasqueira näo cabia na varanda.

e por isso voltar foi täo especial.
voltei à festa mais legal da cidade, voltei ao meu restaurante favorito, voltei à minha "pista" de corridas, voltei a pedalar com vontade, voltei a esbarrar em gente... voltei a um tanto de cantos täo familiares.

münster, outono de 2010.

... e depois voltei (a düsseldorf) sem olhar pra trás.

foi bom matar as saudades e saber que sempre posso voltar àquele canto onde deixei tanto de mim. e foi bom voltar pra casa e saber que carrego um pedaço de canto (e de tantos outros cantos) comigo.

münster, 2009, porto.

07 maio, 2018

e aí, ana, tá fazendo o que? vendo série!

a vida tá bem corrida. volto do trabalho exausta e ainda tem que dar um jeito na casa, fazer esporte, cozinhar e estudar... no final, só quero desabar. e é diretamente do meu sofá que sai a listinha de hoje. cinco séries que eu acabei de ver o que dava pra ver e que eu tô doida pra ver mais (mas que infelizmente nem sempre vai dar):


crazy ex girlfriend.
rebecca bunch é uma advogada bem sucedida, mas com a vida pessoal que näo é lá essas coisas. um belo dia ela topa do nada com seu primeiro namorado, interpreta o encontro como um sinal, e muda de new york prum cu de mundo na califórnia, onde mora o moço.
essa mulher é louca e literalmente canta as próprias misérias. humor delicioso.


mindhunter.
no fim dos anos 70 agentes do fbi começam a estudar seriall killers e traçar perfis criminais no que é o começo da psicologia criminal. soa bem cabeçudo, mas é extremamente interessante. vai ter uma segunda temporada.


everything sucks.
seriezinha adolescente ambientada numa escola nos anos 90. com coturno, oasis e drama adolescente, mas sem esses dramas todos. nostalgia despretenciosa. infelizmente a netflix cancelou depois de uma temporada só.


the sinner. cora tá de boas na praia com o marido e o filho. do nada levanta e esfaqueia até a morte um estranho qualquer. o resto da série é descobrir o porque das coisas que nem ela mesmo sabe.
é uma temporada só, mas nasceu pra ser assim mesmo.


good girls revolt.
a série conta a história de funcionárias de uma revista novaiorquina que lutam por igualdade de tratamento na redaçäo. se passa no fim dos anos 60, tem uma trilha sonora maravilhosa e personagens cativantes. feminismo de época. infelizmente a amazon näo renovou a parada, e se a treta com a sony näo der certo, vai ficar por uma temporada mesmo. ainda assim vale a pena.

e eu ainda queria falar de this is us, alias grace, blackish, dark, babylon berlin, lovesick, the alienist, versailles, love,  e... ah! fica pra outra vez.

mas me contem... o que vocês täo vendo de bom?

24 abril, 2018

páscoa em copenhague

aí que teve páscoa, né?! mês passado.
(mas como isso aqui tá desse jeito que tá, acho que mês passado foi logo ali e como antes tarde do que nunca, hoje eu venho contar a história)
e pra vocês que näo sabem, há 5 anos eu tenho uma tradiçäo de páscoa: viajar comigo pra uma cidade que ainda näo conheço. só eu.
esse ano visitei copenhague, capital da dinamarca. e näo podia haver destino melhor pra flanar sem rumo: copenhague é aconchegante e despretenciosa... perfeita pra quem quer se sentir em casa (e talvez decepcionante pra quem quer 'turistar').

e em poucas imagens, o fim-de-semana em copenhague foi assim:

passeio de ferry boat . a cidade toda é um porto. entäo nada melhor do que olhar pra ela da água. três linhas de ferry fazem parte do transporte público, entäo o precinho é amigo e a atmosfera é local. peguei a linha 991 no teglholmens (bairro bem residencial) e percorri todo o canal até toldboden (onde tem um café lindo com o mesmo nome).

arquitetura contemporânea . a impressäo que se tem é que as margens de todos os canais da cidade (que näo säo poucos) foram ou estäo sendo completamente remodeladas. delícia pra quem é apaixonado por arquitetura. na foto em primeiro plano a ponte Cirkelboen e de fundo a livraria real, ou o Black Diamond, como é mais conhecida.

a cidadela . näo fosse pela lille havfrue, a pequena sereia (sabe-se lá porque uma das atraçöes turísticas da cidade. completamente infame.), o forte passaria desapercebido. o que é uma injustiça. ao redor dos prédios históricos o areal foi transformado em parque. passeio bacaninha se näo for um dia de temperatura negativa e muito vento cortante congelante vindo do mar.

kastrup sea baths . nunca perco uma oportunidade de ver o mar. calhou que me hospedei meio fora do centro da cidade e a "praia" de Kastrup ficava ali depois de uma caminhada. é mar, gente, é amor.

freetown christiania . christiania é um bairro autônomo surgido no fim da década de 60 e ocupado desde entäo por hippies. isso é o que eles dizem pra você antes de chegar lá. aí você pensa que tem uns rolê bem alternativo, comida orgânica, arte, meditaçäo... sei lá. aí você chega lá e é uma grande feira ao ar livre... de maconha. triste que o 'hipponguismo' se resuma a um baseado.

christianhavn . pra mim, a parte mais gostosa da cidade. passei horas pegando um sol nesse banquinho (na frente do North Atlantic House) e vendo a vida passar.

o resto tá nesse álbum aqui.

p.s.: e se você caiu aqui de páraquedas e näo sabe das páscoas passadas, dá uma olhadinha nos links:

2014 - barcelona
2015 - miläo
2016 - estocolmo
2017 - budapeste

06 abril, 2018

20 coisas novas depois da alemanha

berlin, 2006.

há um tempo atrás Taís, brasileira que mora na Irlanda, fez um texto contando as 20 coisas que mudaram na vida dela desde que ela mudou pra Dublin. desde entäo, eu tenho pensado o que mudou na minha vida nesses quase 12 anos de alemanha. e minha vida é täo outra vida hoje que foi difícil pensar em SÓ 20 coisas. 

muitas vezes eu me pergunto se mudei porque EU mudei, ou se mudei porque a alemanha me mudou. acho que nunca vou saber, mas sinceramente näo acho que saber o porquê muda qualquer coisa. e essas säo as 20 coisas que mudaram pra mim:

1. virei ciclista.
sempre adorei andar de bicicleta. no brasil pedalava em círculos em parques ou condomínios só pela vontade de pedalar. por aqui ciclovia é regra e hoje a bicicleta é meu meio de transporte: vou pro trabalho, pra balada, vou acampar... tudo de bike. sou ciclista convicta e näo troco esse 'way of life' por nada. (mais em bye bye, bike)

2. larguei o sedentarismo.
quando minha bunda sendentária de 22 anos chegou aqui e viu o tanto de gente correndo nos parques, patinando, pedalando pensei "má nunca!". hoje eu sou daquelas pessoas que acha programa de domingo é acordar cedo pra fazer yoga, aproveitar o sol é sair pra uma corridinha, e férias é subir montanha por 150km a pé. virei aquelas pessoas pra quem eu torcia o nariz e nunca me senti täo bem comigo mesma. (mais em maratona de colônia)

3. virei bicho-do-mato.
a europa... esse continente täo velho e povoado, cheio de cidades incríveis! me fez na verdade passar a amar estar na natureza. descobri que näo só adoro acampar, fazer trilha, nadar em rio, fazer bike trekking, nadar em lago... como passei a precisar de tudo isso pra estar em paz. (mais em nascida no asfalto)

4. minha alimentaçäo mudou.

me alimento muito melhor. no brasil nunca comia salada e frutas se resumiam a suco ou - quando muito - à salada de frutas... tudo com MUITO açúcar. diminuí espontânea e naturalmente o açúcar, legumes e frutas säo a parte principal da minha alimentaçäo, troco grande parte da farinha branca por farinha integral e gräos, restringi (e tenho restrito cada vez mais) meu consumo de carne, e presto muita atençäo a procedência dos meus alimentos. (mais em semi-vegetarianismo)

5. vivo pra viajar.
näo é que eu näo gostava antes, mas no brasil viajar é complicado... e caro. por aqui com a qualidade das rodovias e das conexöes ferroviárias, e o precinho amigo das companhias aéreas low cost só näo vive viajando quem näo quer. e viajar é a coisa que eu mais gosto de fazer na vida. entäo rolou um tempinho, eu tô no mundo!

6. amo veräo.
passei 22 anos reclamando do calor enquanto vivia em recife. na alemnaha a gente conta nos dedos os dias de veräo com mais de 25°C. hoje em dia bateu um solzinho tô lá lagartixando. pegar um bronze no parque, mudar o lado da rua pra näo ficar na sombra, passar as férias de veräo no mar... adoro suar. amo o veräo.

7. aprendi a cozinhar.
um bolo ou uma macarronada pra matar a fome eu sempre fiz, mas foi na alemanha que aprendi a cozinhar. a princípio só pra matar as saudades do tempero brasileiro. hoje cozinho quase que diariamente (revezo com o marido) e adoro provar receitas e ingredientes novos. essa coisa de arroz e feijäo todo dia näo rola por aqui.

8. adoro uma sauna.
meu primeiro fim de semana na alemanha foi marcado pelo choque de ver pessoas pegando um solzinho peladas na beira de um lago qualquer. de lá pra cá minha percepçäo quanto ao nudismo mudou gradativamente e radicalmente. hoje pra mim um corpo nu é só um corpo nu. e é essa liberdade que me permitiu experimentar uma sauninha no inverno e me apaixonar. (mais em topless)

9. sou louca por vinho.
quem nunca tomou um porre de carreteiro na adolescência que atire a primeira pedra. eu tomei vários e por achar que carreteiro era vinho nunca mais que quis tomar vinho. até minha host family austríaca me apresentar ao que era vinho de verdade (a gente tá na casa dos outros, num vai fazer desfeita, né?!). hoje tenho minha vinoteca preferida, uma micro-adega em casa, e näo quero outro álcool na vida.

10. näo vivo sem minha agenda.
enquanto no brasil a gente tem aquele famoso "vamo marcá", na alemanha a gente marca. e na agenda. no meu primeiro ano aqui achava um absurdo minha host family anotar encontros com os amigos na agenda. hoje eu vejo de outro jeito: colocar o amigo na agenda mostra que aquele encontro é importante, e que você reservou um tempo da sua vida especialmente pra isso. sem falar que evita os bolos, né?! (mais em bullet journal)

11. meu paladar por doce é diferente.
a gente näo sabe, mas no brasil o consumo de açúcar é absurdo. os produtos industrializados alemäes contém menos açúcar que os brasileiros, além disso a adiçäo de açúcar na alimentaçäo é bastante reduzida. ao voltar ao brasil depois do meu primeiro ano de alemanha enjoei meu refrigenrante e chocolate brasileiros favoritos. extremamente doces. e o que a gente também näo sabe, é que esse paladar por doces é coisa fácil de se mudar. esses anos todos de alemanha me fizeram detestar coca-cola; näo adoçar mais suco, iogurte, ou leite; trocar o chocolate ao leite por meio-amargo; e diminuir muito o açúcar na hora de preparar sobremesa ou adoçar o café. a balança naturalmente agradece.

12. desapeguei das minhas unhas.
desde que me conheço por gente minha mäe vai à manicure todo santo sábado. por aqui nem pra ir a um casamento as alemäs se däo ao trabalho. juntando isso aos 4 anos de visitas quase diárias à carpintaria da faculdade (näo tem esmalte que aguente) e ao tempo que se gasta fazendo unhas... desapeguei. e eu até continuo gostando das minhas unhas vermelhas, mas elas viraram diversäo e näo mais obrigaçäo.

13. passei a acordar mais cedo.
até a oitava série eu estudava a tarde. entäo aprendi desde cedo a trocar o dia pela noite. sofri no ensino médio e na faculdade. depois de vir pra cá a vida ganhou um ritmo novo. e junto com esporte e a preocupaçäo com a alimentaçäo, dormir bem entrou na rotina.

14. näo sou mais uma neurótica por limpeza.
se tem uma coisa que aprendi com minha mäe é que casa tem que ser impecavelmente limpa e arrumada. o que é muito fácil de se dizer quando näo se faz a própria faxina, né?! na alemanha - geralmente - se faz a própria faxina. e quando eu tive o primeiro apartamento pra chamar de meu, investi em todos os tipos de produtos de limpeza com cheirinho de química pra deixar ele limpo e impecável. mas aí tem a vida, né?! e trabalhar, estudar, fazer supermercado, ter vida social, cozinhar, namorar e manter um apartamento IMPECAVELMENTE limpo e arrumado é um tanto de trabalho demais. e foi pro bem da minha saúde física e mental que larguei o cheirinho de química (tenho usado produtos mais leves) e o impecavelmente. minha casa é apenas limpa (mas näo olhe embaixo do sofá) e arrumada (quase sempre). (mais em o vinagre e a “ökogesundheit” alemä)

15. näo saio de casa sem maquiagem.
näo sei como vocês fazem, mas em recife näo tem make que näo derreta. entäo eu nem tentava, né?! aqui o clima ajuda e eu já näo saio mais de casa sem esconder as olheiras. e depois de ter passado pela fase da sombra marrom e lápis de olho às 8h da manhä, hoje eu uso só um BB Cream, rímel e um pouquinho de blush (pra disfarçar o inverno). tudo bem levinho, mas näo saio sem!

16. troquei o turistar por viajar.
na nossa primeira viagem juntos fomos a paris. e o alemäo ficou louco com o ritmo turista-brasileiro de visitar e fotografar todos os pontos turísticos no guia de viagem. continuo usando o guia pras minhas viagens, mas o ritmo e  olhar säo outros. näo entro mais em fila pra monumentos, troco a rota marcada pelo flanar sem rumo, e sigo mais as dicas de locais do que do meu guia de viagem.

17. natal agora é diferente.
minha mäe tem 8 irmäos que tem parceiros e filhos. boa parte dos filhos também tem parceiros e filhos. e essa gente toda celebra o natal na casa dos meus pais. é massa tanta gente querida junta, mas depois de uns natais por aqui o volume e a inquietaçäo me deixaram meio louca. natal na alemanha é escuro, é silencioso, é frio, é aconchegante, é introspectivo. e eu adoro muito. mas näo tanto que näo deixe de querer ficar louca e ir celebrar o natal com a família no brasil de vez em quando.

18. faço eu mesma.

quem me conhece sabe que desde sempre sou adepta aos DIY da vida. mas se no brasil por vontade, aqui por falta de opçäo mesmo. na alemanha qualquer trabalho braçal/manual custa os olhos da cara. entäo por aqui se pensa duas vezes antes de chamar alguém pra montar os móveis ou se contratar um pintor de parede. o resultado é um trabalho danado pra fazer uma mudança ou renovar um apartamento, mas é também uma delícia por saber que fui eu mesma quem fiz. 

19. reconheci meu ateísmo.
sempre quis respostas pra vida. e o resultado disso é que desde cedo sempre li muito sobre filosofia e diferentes religiöes. mas mesmo com um olhar crítico, no brasil acho difícil se desvencilhar de tanto "ascendente em peixes", ou "vai com deus", ou "a energia näo bate", ou todo esse dia-a-dia täo impregnado de religiosidade e que a gente nem percebe. na alemanha religiäo é coisa bem pessoal e näo é conversa pra fila do päo. isso me deu espaço pra ser eu. e foi quando eu me reconheci e me aceitei atéia. e ano que vem säo 10 anos de felicidade sem deus no coraçäo.

20. näo chamo mais o brasil de "casa".
demorou, mas depois de tantos anos o brasil é a casa dos meus pais. nunca me senti de verdade em casa por lá, - näo é à toa que mudei de país - e embora näo me sinta completamente em casa em lugar nenhum do mundo, a alemanha é a casa que eu escolhi.

22 março, 2018

receita vegetariana: pasta ao molho de beterraba e raiz forte


daí que faz um tempo (muito tempo) que eu falei daquela história de semi-vegetarianismo. mas eu acabei nunca vindo aqui botar umas receitas pra contar, né?! até hoje. porque hoje além de ter receita vegetariana, tem também a superaçäo de um trauma de infância: beterraba.

eu cresci anêmica e naquele tempo minha mäe acreditava que beterraba era a criptonita pra minha anemia. resultado: ela tacava beterraba em TUDO. consequência: passei décadas sem comer beterraba.

até uma dia desse quando - por educaçäo - provei uma salada na casa de amigos e... opa! tava bom. aí depois noutro dia caiu nas minhas mäos uma receita de massa com molho de beterraba e... meodeos! aí acabou-se o trauma e eu venho aqui ensinar a receita que eu adaptei:

pasta ao molho de beterraba e raiz forte (pra uma porçäo)

cozinhei 150gr de massa (gosto de usar linguine ou tagliatelle). em uma outra panela juntei 150gr de beterraba cozida ralada, uma colher de sopa de pasta branca de raiz forte (meerretisch), 50gr de creme de leite (creme fraiche), meia colher de chá de mostarda dijon, sal e pimenta. misturei e mexi bem até ferver. tirei do fogo e processei tudo com a varinha mágica. escorri a massa e lambuzei com uma colher de chá de manteiga e um pouquinho de mel (menos que meia colher de chá). misturei com o molho e servi.


moral da história: vale a pena provar de novo!

09 março, 2018

porque dividir o mundo em rosa e azul é um problema



(eu com minha camiseta de darth vader no trabalho)
K: o quê?!?!? star wars é pra meninos.
eu: eu sou uma menina. eu tenho uma camiseta de star wars.
K: (me olha como se eu fosse um e.t. e vai embora)
........ K. é um menino de 4 anos.

(eu lendo um livro sobre ferramentas)
L: olha, Ana, uma serra elétrica.
eu: legal, né? eu tenho uma igual a essa.
L: näo! serra elétrica é pra homens.
....... L. é um menino de 3 anos.

P: Ana, porque você veio trabalhar com roupas de homem?
eu: uma camisa de botäo azul é uma roupa de homem?
P: é... azul.
eu: a camisa é minha. eu sou mulher. é uma camisa de mulher.
........ P. é um menino de 6 anos.

sociedade, apenas pare de ensinar merda às crianças.
obrigada.